Madre de Deus, Pedro da (fr.)

 [N. ilha Terceira, séc. XVI] Não confundir com Fr. Pedro da Madre de Deus, natural do reino de Aragão. Pertenceu à Ordem de Santo Agostinho. Não sendo cónego, era conhecedor de Direito Canónico. Lutou, insistentemente, pela intercessão dos franceses na nossa causa, os quais apoiariam D. António Prior do Crato, contra o espanhol, Filipe II, libertando do imperium deste o arquipélago açoriano. Seguiu a linha de muitos outros seus contemporâneos, e podem ser vistos e lidos os seus escritos à rainha-mãe, D. Catarina de Médicis, progenitora de Henrique III, de França. São um conjunto de missivas dirigidas por ele, a 15 de Setembro de 1581 – duas cartas com a mesma data, no seguimento da de Fr. Brás Camelo, guardião do Convento de S. Francisco de Angra (5 de Junho); da Câmara de Angra (6 de Junho) e da Câmara da vila de S. Sebastião (9 de Junho); de António Scallin (13 de Junho), de António de Brito Pimentel (6 de Julho), entre muitas outras datadas daquele mesmo ano. Fez parte, como deputado, dada a situação que se vivia e a divisão em dois partidos, um, apoiante de D. António, outro de Filipe II, da constituição da Mesa da Consciência que vigorava a par da Casa da Suplicação ou do crime e do cível, e da Mesa do Desembargo que funcionava como segunda instância. Chegou a pelejar contra as hostes de D. Filipe, pelo que foi preso, vindo a ser absolvido, dias depois, e solto, afastando-se da área das guerrilhas e mais revolucionária, para vir a exercer as funções para que estava ordenado, em freguesias mais apartadas, até que faleceu, por finais do século, já cansado e idoso, incapaz de mais lutas. João Silva de Sousa

Bibl. Arquivo dos Açores (1982). Ponta Delgada, Universidade dos Açores, IV: 238; X: 29 e 34; XI: 332-333.