Machado, João Homem

 [N. Santa Bárbara das Ribeiras, Lajes, Pico, 21.1.1906 – m. Rio de Janeiro, 7.12.1986] Concluídos os estudos primários, e a um apelo de D. José da Costa Nunes, então bispo de Macau, embarcou no navio Lima, no dia 16 de Setembro de 1931, para Lisboa, de onde seguiu, dias depois, para Macau. Aí ingressou no Seminário de S. José, onde privou de perto com outros jovens seminaristas da ilha do Pico, nomeadamente Tomás da Rosa.

Ordenado padre, exerceu funções de secretário particular de D. José da Costa Nunes. Em 1938 regressou à ilha do Pico, onde recolheu materiais de literatura oral. Um ano depois, e em circunstâncias ainda não de todo esclarecidas, partiu para o Brasil. Abandonou o sacerdócio, constituiu família e, numa escola particular do Rio de Janeiro, leccionou a disciplina de Língua Portuguesa. Dedicou-se também à música, sendo o autor da letra e da música do «Hino da Casa dos Açores do Rio de Janeiro» e da qual foi sócio fundador.

Os seus estudos, para além dos didácticos (é autor de diversos compêndios e apostilas, e de um vocabulário Português-Espanhol-Italiano-Inglês-Latim), quase só têm como temática a ilha do Pico, estudada e apreciada nas mais diversas perspectivas: hábitos, costumes, tradições, folclore, etc.. Viu publicado em vida o livro Na Califórnia. Realidade e Ficção (1968) que narra a visita do seu autor àquele estado americano. São póstumas as suas obras maiores: O Folclore da Ilha do Pico (1991); Um Cantinho Açoriano, crónicas novelescas, (1992). Estes últimos dois livros, escritos trinta anos antes da sua publicação, constituem importante contributo para o estudo da etnografia da ilha do Pico. Victor Rui Dores

Obras. (1968), Na Califórnia. Realidade e Ficção. Rio de Janeiro, ed. de autor. (1991), O Folclore da Ilha do Pico. Horta, Núcleo Cultural da Horta. (1992), Um Cantinho Açoriano, crónicas novelescas. Lajes do Pico, Associação de Defesa do Património da Ilha do Pico [Patrocinada pela Câmara Municipal das Lajes do Pico].