maar

Termo de origem alemã, introduzido na literatura vulcanológica em resultado da existência de cerca de trinta lagos de cratera na região vulcânica de Eiffel. Este nome designa um tipo de aparelho vulcânico resultante de explosões freáticas ou freatomagmáticas que envolvem parte do substrato rochoso pré-existente, seja ele de natureza vulcânica ou não. Estas manifestações resultam da interação explosiva, a pequena profundidade, entre o magma e um aquífero. As explosões fragmentam e projectam a coluna de rocha superficial situada acima do local onde a interacção ocorre, criando uma cratera. Uma das características dos maares é o facto do fundo da cratera, que apresenta paredes muito inclinadas a verticais, se situar abaixo da superfície topográfica original. A cratera tem forma frequentemente circular a oval, diâmetro em regra inferior a um quilómetro, profundidades de poucas dezenas de metros até pouco mais de 200 m, na qual geralmente existe um lago, lagoa ou charco, o que está na origem da designação. Nas paredes da cratera aflora a rocha do substrato a que se sobrepõem os depósitos correlacionados com a erupção que a gerou. Em torno da cratera depositam-se os produtos piroclásticos, muito ricos em fragmentos líticos provenientes da fragmentação do substrato rochoso pelas explosões vulcânicas. Estes piroclastos, que formam um anel baixo em torno da cratera, são depositados por projecção balística e por fluxos piroclásticos sob a forma de nuvens de surge ou fluxos lamacentos; estes processos determinam as características estruturais e texturais dos depósitos.

Existem crateras do tipo maar em várias ilhas dos Açores, de que são exemplo a Lagoa do Congro em S. Miguel e várias “caldeiras” da ilha das Flores como a Caldeira Negra, a Caldeira Comprida, a Caldeira Seca e a Caldeira Funda.

José Madeira