loureiro
Nome pelo qual são conhecidas as plantas da família das Lauráceas (Dicotiledónea) pertencentes à espécie Laurus azorica (sin. Persea azorica) (Palhinha, 1966; Schäfer, 2002), também conhecidas por loureiro-da-terra (Bernardo e Montenegro, 2003; Schäfer, 2002), louro-macho e louro-bravo (Bernardo e Montenegro, 2003) e por apenas louro (Bernardo e Montenegro, 2003; Sjögren, 2001). O nome louro-bravo advém do facto de ser capaz de resistir a tempestades e convulsões vulcânicas.
Segundo Schäfer (2002) e Sjögren (2001), é um arbusto dióico ou árvore que pode atingir 13 m de altura e tronco até 35 cm de diâmetro, perene, habitualmente com ramos vigorosos; ramos jovens e folhas densamente castanho, tomentosos, nas folhas jovens pelo menos na nervura central; folhas elípticas, oblongas ou obovadas, mais ou menos agudas, até 15 x 6 cm, aromática; inflorescência subséssil; flores actinomórficas, amarelo pálido; perianto 4-lobado, segmentos cerca de 4 mm; baga elipsóide, preta de 1-2 cm. Perene. Floração de Dezembro a Abril.
Espécie endémica da Macaronésia, ocorre em todas as ilhas (Silva et al., 2005), dispersa em ravinas, sobre declives escarpados e na floresta de Myrica-Pittosporum até 850 m (Schäfer, 2002), geralmente acima dos 500 m, na ilha do Pico raramente acima dos 1.400 m, mas ocasionalmente descendo até os 175 m (Sjögren, 2001), em sítios húmidos constantemente irrigados (Direcção Regional do Ambiente, s.d.). Valentim Fernandes Alemão, ao escrever, por cerca de 1507, a sua Descrição das ilhas do Atlântico, informa que «nacem nesta ylha [S. Miguel] loureyros tamanhos que seis homens nom podem abraçar uma árvore e tam altos que parecem tocar os ceos» (cf. Arruda, 1932: 67).
A sua presença impôs-se duma forma tão imperiosa que deu o nome à floresta primitiva das ilhas atlânticas a laurissilva palavra latina que significa «floresta de loureiros», ou floresta de louro-cedro. É um membro importante destas florestas nativas açorianas de altitude, nem sempre espécie arbórea dominante, mas raramente ausente dos estratos arbóreo e arbustivo. A copa densa das árvores fornece um abrigo que leva à colonização por plantas características da floresta nativa dos Açores, tanto vasculares como briófitos. Nos habitats muito protegidos, as folhas do louro são colonizadas por pequenas hepáticas epifilas. Na Europa, apenas nos Açores estas hepáticas formam comunidades de composição característica (Sjögren, 2001). Luís M. Arruda
Bibl. Arruda, M. M. V. (1932), Colecção de documentos relativos ao descobrimento e povoamento dos Açores. Ponta Delgada, Tip. do Diário dos Açores. Bernardo, M. C. R. e Montenegro, H. M. (2003), O falar micaelense. S.l., João Azevedo Editor. Direcção Regional do Ambiente (s.d.), Fichas de plantas vasculares dos Açores. [Horta]. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das plantas vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açorianos Afonso Chaves. Schäfer, H. (2002), Flora of the
