Lomba, freguesia

História, Actividades Económicas e Culturais Do concelho de Lajes das Flores, ilha das Flores, fica situada a NE da respectiva sede, a uma distância de cerca de 6 km, na estrada regional Lajes – Santa Cruz. Tem 197 habitantes, 43 famílias e 115 edifícios (Censos de 2001).

O lugar da Lomba começou por ser habitado por um grupo de povoadores, aí por volta de 1504, entre os quais o madeirense Pedro Vieira que, com a família, se fixou na Fajã que hoje tem o seu nome, e por Gonçalo Anes Malho, de Ourém, de cujos nomes já hoje por ali não existem vestígios (Gomes, 2003: 145).

Os limites da freguesia situam-se entre as Ribeira Funda a sul e a Ribeira da Silva a norte. Todavia, embora se desconheça a data certa da criação da paróquia, sabe-se que em 1701 a mesma já existia (Gomes, 2003: 155). Há, contudo, quem aponte para 1698. Durante cerca de oito décadas, a ela esteve anexado o lugar da Caveira até à sua elevação a paróquia, em 1833 ou 1834. Consta que na localidade da Lomba poderá ter existido nos primeiros anos do povoamento, a Ermida de Santa Bárbara (Gomes, 2003: 163).

Também se desconhece a data da edificação da sua primeira igreja, tendo como orago S. Caetano, embora se saiba que esta já existia em 1707 e que nela havia carências de obras e de equipamentos religiosos.

A construção da actual igreja terá sido iniciada em 1880, tendo sido benzida em 24 de Fevereiro de 1888, certamente para passar a ser utilizada, mas a sua conclusão teve lugar em 1884 (Gomes, 2003: 159).

Sempre muito unidos, os lombenses só têm uma Irmandade do Espírito Santo, certamente ali existente desde os primórdios do povoamento, onde todos os anos cumprem as suas promessas festivas. Na sua capela sempre se desenvolveram actividades culturais e recreativas, tais como o teatro e outras reuniões e encontros sociais da localidade.

Servida por boas pastagens, nela predomina a pequena propriedade, onde os seus habitantes desenvolvem a agro-pecuária, intensificada com a produção bovina com vista ao aproveitamento do leite e da carne. Antigamente essa actividade era acumulada com a cultura do trigo, milho, feijão, inhames, batatas (doce e branca) e hortaliças, agora de menor significado económico. Para moagem dos cereais chegou a possuir nos seus terrenos cinco moinhos de água, tipo rodízio de roda horizontal, sendo um na Ribeiro do Pomar e quatro na Ribeira Funda.

Na sequência do movimento cooperativo instituído na ilha em 1918, nela foi criada a Frutuária de Produção de Lacticínios de S. Caetano, que, na década de 1930, mudou de nome para Cooperativa Agrícola de Lacticínios, a qual hoje integra a União de Cooperativas Agrícolas da Ilha das Flores (Trigueiro, 2003: 41-59).

A actividade da pesca também foi ali praticada, sobretudo com o uso do porto da Lomba, por onde passavam passageiros e cargas com base na navegação local, porto esse que viria a ser praticamente abandonado quando na ilha, na década de 1950, foram construídas estradas entre as diversas localidades.

No interior dos seus matos foram realizadas, no lugar do Juncal, as primeiras experiências em arroteias feitas na década de 1950 pelo Posto Agrícola da Ilha das Flores, transformando terrenos húmidos e incultos em pastagens e matas de madeira de criptoméria, exemplo que viria mais tarde a ser seguido por outras entidades públicas e privadas. Destas destacam-se os Serviços Florestais que a partir de 1964 passaram a administrar os respectivos baldios.

Em Março de 1931 os lombenses, juntamente com o seu novo pároco, o padre Francisco Vieira Soares, natural da Piedade do Pico, deliberam criar uma banda de música. Assim, em 6 de Agosto desse ano, a filarmónica fez a sua estreia na festa de S. Caetano. Recebeu o nome de Filarmónica Manuel Martins, como homenagem ao lombense Manuel Martins de Freitas, então emigrado no Estado de Nevada, Estados Unidos da América, que assumiu à sua conta o custo total do instrumental. Influenciada pelo surto de emigração para os Estados Unidos da América e Canadá, essa instituição, depois de ter desenvolvido importante actividade musical e teatral na ilha, suspendeu as suas actividades nos últimos anos de década de 1960. (Trigueiro, 1998a: 47-52).

No desporto a Lomba desenvolveu, sobretudo, o futebol. O Sport Club Lombense, foi criado em 1939, tendo inaugurado o seu campo em 12 de Outubro desse ano. Tinha as categorias de seniores e de juniores, mas, pelas mesmas razões da filarmónica, os lombenses viram-se forçados a suspender essa actividade desportiva. Hoje tem apenas um campo de jogos com piso de cimento onde se pratica «futsal» e outras modalidades desportivas menos envolventes (Trigueiro, 1998b: 63-70).

A freguesia, por ficar situada numa lomba alta da ilha, é um excelente ponto de interesse turístico, a que se podem juntar a Rocha do Touro, a Lagoa da Lomba, e as vistas das suas verdejantes fajãs, à beira mar, tendo como fundo a grande baía da Ribeira da Silva.

Nela se distinguiram, para além de outros, os seguintes lombenses: padre Francisco Vitorino de Vasconcelos (1912-1991), sacerdote e professor; padre Francisco Augusto de Sousa (1914-1975), sacerdote e professor (Trigueiro, 1999: 75-78, 97-100). José Arlindo Trigueiro

Bibl. Censos 2001. Angra do Heroísmo, Serviço Regional de Estatística dos Açores. Gomes, F. A. N. P. (2003), A Ilha das Flores: da redescoberta à actualidade. Lajes das Flores, Câmara Municipal de Lajes das Flores. Trigueiro, J. A. A. (2003), Retalhos de Flores – factos históricos do século XX. Lajes das Flores, Câmara Municipal de Lajes das Flores. Id. (1998a), Filarmónicas das Flores. Santa Cruz das Flores, Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores. Id. (1998b), Futebol na Ilha das Flores. Lajes das Flores, Câmara Municipal de Lajes das Flores. Id. (1999), Padres das Flores. Lajes das Flores, Câmara Municipal de Lajes das Flores.