Lobo, Francisco de Paula da Luz

[N. Lisboa, 1802 – m. ibid., 1880] Assentou praça como soldado no Regimento de Artilharia 2 a 16 de Dezembro de 1824 e serviu nos postos inferiores até 1829. Fez o curso da Academia de Marinha e estudou fortificação e desenho militar, terminados em 1830. Passando a oficial foi sucessivamente promovido a 2.º tenente, em 1833; 1.º tenente, em 1837; capitão, em 1840; major, em 1851; tenente-coronel, em 1863; coronel, em 1865, sendo reformado em general de brigada, em 1873.

Serviu no exército miguelista, mas numa exposição posterior feita após a vitória liberal diz que foi perseguido pelos seus sentimentos liberais e por se ter envolvido em diferentes tentativas para restabelecer a Carta, mas só se pode apresentar à Divisão do Duque da Terceira a 24 de Julho de 1833. Partiu então para o Porto integrado no Exército Liberal em 2.º tenente (22.12.1833), onde ainda participou na defesa da cidade.

Filiou-se nas comissões liberais e ajudou as tropas do Duque da Terceira facilitando a conquista do castelo de S. Jorge e a torre de S. Julião da Barra quando do ataque à capital em 1833.

Acabada a guerra serviu na arma de artilharia, nomeadamente na praça de Peniche, onde em 1842 jurou a Carta Constitucional, aquando do seu restabelecimento por Costa Cabral.

Por decreto de 19 de Agosto de 1856, como major, foi nomeado comandante do material de Artilharia da 10.ª Divisão nos Açores, função que exerceu até 26 de Agosto de 1862.

Como coronel do Estado Maior foi nomeado governador do castelo de S. João Baptista de Angra por decreto de 12 de Junho de 1866 exercendo este comando até 10 de Março de 1869. Regressado a Lisboa foi nomeado inspector do material de Artilharia na 3.ª Divisão Militar.

Em 1870 o comandante da 5.ª Divisão, a dos Açores na nova orgânica, o general Francisco Cruz Sobral, informava da situação preocupante existente nos Açores, com os comandos da subdivisões de Ponta Delgada e da Horta e o governo do castelo de S. João Baptista vagos, propondo nomeações rápidas para esses lugares, que foram efectivamente feitas com a nomeação do coronel Bento José da Cunha Viana para Ponta Delgada, do coronel José Paulinho de Sá Carneiro para a Horta e de novo do coronel Francisco de Paula da Luz Lobo para governador do castelo de S. João Baptista, este por decreto de 22 de Junho de 1870 e aí permaneceu até 19 de Março de 1872 quando foi colocado como comandante do Regimento de Artilharia 2 na capital, tendo saído de Angra a 23 de Maio de 1872.

O seu comando neste regimento foi avaliado como mau, possivelmente devido a doença nervosa e por isso não foi atendida uma petição de cidadãos de Angra que pediam o regresso de Luz Lobo ao governo do castelo de Angra, testemunhando sobre o bom desempenho e da grande simpatia que na cidade havia pela sua pessoa.

Terminou mesmo a sua carreira com a reforma por decreto de 30 de Arbil de 1873. J. G. Reis Leite

Fontes. Arquivo Histórico Militar (Lisboa), cxs. 72, 228, 688, 1733, 1930.