Lobão

Da Ilha Graciosa. O facto de os Lobão da ilha Graciosa se documentarem nos primeiros registos paroquiais da ilha usando por vezes o apelido composto Lobão Botelho leva-me a admitira que possam eventualmente descender de um Luís Lobão, filho de Domingos Lobão e de sua mulher Beatriz de Almeida, que os genealogistas dizem ter vivido na Horta, além-douro, no continente. Este Luís Lobão casou com Luísa Botelho, filha de Luís Botelho e de sua mulher Ana Rodrigues de Magalhães (Gayo, tít. De Botelho, § 32, n.º 12). Deste casal poderia ter sido filho, ou neto, António Lobão Botelho, escrivão dos Órfãos na ilha Graciosa antes de 1583, que casou com Ana da Cunha, filha de Simão da Cunha de Ávila e de sua mulher Maria de Freitas, e viveu na Fonte do Mato. Este último casal terá tido, pelo menos, um filho e uma filha chamada Inês Gonçalves de Ávila, mulher de um Sebastião Álvares, pais de D. Maria Álvares da Cunha Lobão (assim a nomeiam os genealogistas graciosenses) que terá casado com Sebastião Viegas de Ataíde, com geração conhecida.

No mesmo período viveu na Graciosa um João Luís Lobão, possível irmão de António Lobão, escrivão dos Órfãos, acima, que na ilha casou com Maria Machado de quem teve Brás Fernandes (Lobão) – o do mato –, já falecido em 1595, que havia casado na vila da Praia da Graciosa com sua prima como irmã Maria Gonçalves Sodré, filha de António Lobão e de sua mulher Ana da Cunha, supra. Destes últimos foi filho Francisco Lobão Botelho que casou uma primeira vez na mesma vila da Praia com Apolónia Gonçalves, e foram pais de Catarina Lobão, mulher de Belchior Gonçalves de Ávila, com geração até à actualidade.

Também do João Luís Lobão acima referido, poderá ter sido filho, além do mencionado Brás Fernandes – do mato –, um Sebastião de Ávila1 casado na vila da Praia da Graciosa com Catarina de Alvarenga, filha de Brás Afonso – do mato – (já falecido em 1597) e de sua mulher Luzia Dornelas (da Câmara). Deste último casal nasceu Sebastião Luís Lobão, marido de Maria Garcia, pais de Catarina de Alvarenga (sobre a qual o manuscrito do tenente Melo Ribeiro refere, sem adiantar como, nem porquê, que «morreu miseravelmente») que casou com João Espínola Neto, com geração.

Além destes, outros indivíduos usando este apelido são mencionados nos paroquiais da ilha Graciosa, mas permanecem desentroncado e não foram objecto de estudo sistemático. Manuel Lamas

1 É com este nome que figura no seu registo de casamento, e não como Sebastião Luís Lobão (que é seu filho), como escreveu erradamente o genealogista graciosense Frei André do Coração de Maria.