Linschoten, Joan Hughes van (Jan Huygen van)
[N. Haarlem, na Holanda, 1563 m. Holanda, 8.2.1611] Viajante e explorador, permaneceu em Lisboa entre 1579 e 1583, tendo embarcado para Goa neste ano, na nau S. Salvador. Desempenhou as funções de guarda-livros do arcebispo de Goa e a sua estada na Índia prolongou-se até 1589. No seu regresso da Índia aportou a Angra e aqui esteve até 1591.
O conhecimento circunstanciado a que as suas prolongadas permanências deu lugar, habilitou Linschoten a escrever uma obra notável que a recente tradução portuguesa deu a conhecer a vasto público interessado, sob o título Itinerário, viagem ou navegação para as Índias Ocidentais ou Portuguesas.
No que aos Açores se refere, Linschoten proporciona aos seus leitores uma descrição do arquipélago com abundância de pormenores. As informações que regista a propósito da navegação que então cruzava o Atlântico e que aportava a Angra, dão bem a nota da justeza dos encómios que Frutuoso lhe dedicou ao conceder-lhe fama universal. Rica de detalhes de interesse para a história das ilhas e do Atlântico, nomeadamente no plano económico, permite também conhecer das deambulações do corso isabelino nas paragens açorianas.
Entre as belas gravuras que ele próprio executou e que integram o seu Itinerário este o modo como a obra é em geral referida , conta-se uma gravura de Angra na qual se revela o seu traçado e se apreende a fisionomia da cidade e a sua estrutura urbana.
Quer a estada na Índia quer o período em que permaneceu nos Açores, facultaram a Linschoten um conhecimento apurado da operação do comércio português no Oriente e das rotas que o serviam, autorizando as conjecturas que apontam para o desempenho de uma missão de espionagem destinada a permitir à Holanda organizar-se com o propósito de disputar a primazia portuguesa na exploração do comércio com o Oriente.
A missão, alegadamente comercial, dos irmãos Cornelis e Frederik Houtman a Lisboa em 1592 e a sua prisão por tentativa de roubo de cartas náuticas, antecedendo a sua partida da Holanda para a Índia em 1595 ao serviço de uma companhia comercial, com instruções possivelmente dadas por Linschoten, não excluem aquela versão. Pode bem admitir-se que a nova fase da expansão comercial europeia protagonizada pela Holanda, deverá ao peregrinar de Linshoten por terras do Oriente a solidez da sua base organizativa. Ricardo M. Madruga da Costa
Obras. Linschoten, J. H. (1997), Itinerário, viagem ou navegação para as Índias Ocidentais ou Portuguesas (ed. Arie Pos e Rui Manuel Loureiro). Lisboa, Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses. Id. (1943), História da Navegação do Holandês
. Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, I: 145-168. Histoire de la navigation de Jean Hugues de Linschot Hollandois, aux Indes Orientales, contenant diverses descriptions des lieux jusques à present descouverts par les Portuguais: Observations de costumes & singularitez de delà, & autres declarations (1619), 2.ª ed., Amsterdão. Chez Jean Evertsz Cloppenburch, Marchand Libraire.
Bibl. Afonso, J. (1983), O galeão de Malaca no Porto de Angra em 1589: um processo judicial Linschoten. Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, XLI: 177-205. Albuquerque, L. (dir.) (1994), Dicionário de História dos Descobrimentos Portugueses. Lisboa, Círculo de Leitores, 2: 597-598. Barassin, J. (1963), Jean Hugues Linschoten. Studia, Lisboa, XI: 251-255. Houtman, Cornelis and Frederik de (1995), in The New Encyclopaedia Britannica. 15.ª ed., Chicago, Encyclopaedia Britannica Inc., 6: 87. Linschoten, Jan Huyghen van (1995), in The New Encyclopaedia Britannica. 15.ª ed., Chicago, Encyclopaedia Britannica Inc., 7: 381. Parmentier, J. (1997), Soufrir pour parvenir. The life and Adventures of Jan Huygen van Linschoten, 1562-1611. Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, 55: 9-29. Peres, D. (2000), Linschoten (Jean Huygen van), in Enciclopédia Verbo Luso-Brasileira de Cultura, ed. Século XXI, Lisboa; S. Paulo, Editorial Verbo: 1323. Serrão, J. (dir.) (1981), Dicionário de História de Portugal. Porto, Livraria Figueirinhas, 3: 529-530.
