língua-cervina

Nome pelo qual são conhecidas as plantas da família das Aspleniáceas (Pteridophyta) pertencentes à espécie Phyllitis scolopendrium (= Asplenium scolopendrium, Phyllitis scolopendrium) (Nogueira, 1980; Palhinha, 1966; Schäfer, 2002), também conhecida por língua-de-veado (Bernardo e Montenegro, 2003).

Segundo Nogueira (1980) e Schäfer (2002) é planta perene, rizomatosa. Tem rizoma curto, espesso, suberecto, densamente coberto de escamas, lanceoladas, longamente filiformes no ápice, curtamente ciliadas na margem, castanho-escuras; folhas em tufo no ápice do rizoma, até 1 m ou mais longas, persistentes; pecíolo geralmente não ultrapassando 1/3 do comprimento do limbo, frequentemente mais curto, poucas vezes igualando metade daquele, subcilíndrico, esverdeado a castanho escuro ou castanho-purpúreo, coberto a princípio por escamas semelhantes às do rizoma mas mais curtas e estreitas, por fim glabro a subglabro; limbo até 60 cm ou mais longo e 8,5 cm largo, oblongo-lanceolado, pelo menos 4 vezes mais longo que largo, atenuado para cima, obtuso ou mais ou menos agudo no ápice, profundamente cordado e com duas aurículas arredondadas na base, por vezes um pouco contraído acima desta, inteiro e por vezes ondulado na margem, subcoriáceo, verde nas duas páginas, brilhante e glabro na superior, mais claro, mate e com escamas muito estreitas (quase filiformes) e castanhas na inferior, pelo menos quando jovem; soros 7-25 longos, lineares a oblongos, dispostos aos pares ao longo dos ramos secundários ou terciários das nervuras laterais assemelhando-se o conjunto dos 2 soros a um único cujo indúsio se abrisse ao longo da linha longitudinal mediana; esporos ovóides, mais ou menos papilosos.

Nativa da Macaronésia e Europa, ocorre em todas as ilhas (Silva et al., 2005; Schäfer, 2002; Sjögren, 2001).

Segundo Sjögren (2001), encontra-se geralmente acima dos 400 m em habitats protegidos e abrigados, como crateras e ravinas ou em fendas nos mantos lávicos. Geralmente protegido sob as copas densas da laurissilva, surge, por vezes, no interior dos bosques densos de Pittosporum. Os maiores exemplares, com muitos musgos epifilos sobre os limbos, encontram-se nos recantos obscuros das ravinas onde a humidade do ar é permanentemente elevada. Existem em poucos locais em cada ilha e as populações são geralmente pequenas. As suas necessidades ecológicas muito particulares, fazem dela uma espécie sensível ao corte das árvores e dos arbustos protectores. De entre os fetos associados, com necessidades ecológicas idênticas, deve ser mencionado o Trichomanes speciosum. Tanto o Phyllitis como o Trichomanes são frequentemente colonizados por hepáticas epifilas, formando uma comunidade briófita endémica.

É cultivada como planta ornamental. Foi utilizada como planta medicinal. A infusão das folhas era utilizado como calmante das dores de doente do foro oncológico e o rizoma como adstringente, peitoral e para doenças do baço, do fígado e da bexiga (cf. Nogueira, 1980). Luís M. Arruda

Bibl. Nogueira, I. (1980), Phyllitis scolopendrium In Iconographia Selecta Florae Azoricae, A. Fernandes e R. B. Fernandes (eds.), Secretaria Regional da Cultura da Região Autónoma dos Açores, vol. 1, fasc. 1: 113-118. Schäfer, H. (2002), Flora of the Azores, A field guide. Weikersheim, Margraf Verlag. Silva, L., Pinto, N., Press, B., Rumsey, F., Carine, M., Henderson, S. e Sjögren, E. (2005), Lista das plantas vasculares (Pteridophyta e Spermatophyta). In Borges, P. A. V., Cunha, R., Gabriel, R., Martins, A. F., Silva, L. e Vieira, V. (eds.), A list of terrestrial fauna (Mollusca and Arthropoda) and flora (Bryophyta and Spermatophyta) from the Azores. Horta, Angra do Heroísmo e Ponta Delgada, Direcção Regional do Ambiente e Universidade dos Açores: 131-155. Sjögren, E. (2001), Plantas e flores dos Açores. S.l., ed. do autor.