Liberdade (A)

1 Folha política, literária e noticiosa, publicada em Vila Franca do Campo, ilha de S. Miguel. Com periodicidade semanal, apresenta-se como «dedicada a todos os interesses morais e sociais», numa perspectiva católica. Politicamente, posicionou-se ao lado dos Regeneradores, até ao final da Monarquia Constitucional. Foi fundado por João Jacinto Botelho, seu proprietário até 1904, transitando depois para Inocência Amélia Botelho. Foi seu director o padre Manuel José Pires e o editor Francisco Botelho da Costa, a que se seguiu António Arruda. O primeiro número saiu a 12 de Outubro de 1878 e terminou com o número 1.856, a 21 de Novembro de 1914. Numa primeira fase, só apresenta alguns artigos de fundo na primeira página, limitando-se o resto a anúncios, com destaque para a propaganda de medicamentos, e a pequenas notícias locais. Gradualmente, os artigos formativos de carácter religioso, notícias internacionais e alguns apontamentos de carácter etnográfico foram ganhando relevo. Dedicou uma atenção especial ao centenário de Bento de Goes. Carlos Enes 2 Publicado em Sacramento, desde 1900 até 1920, e em Oakland, de 1920 a 1937, foi um dos mais duradoiros entre os primeiros jornais de língua portuguesa na Califórnia. Semanário durante grande parte da sua existência, foi publicado diariamente por vários anos na década de 1920. É o único jornal de língua portuguesa na Califórnia a ter sido publicado como diário. O seu fundador e editor, durante toda a sua existência, foi Guilherme Silveira da *Glória (1862-1943), natural da Candelária, ilha do Pico, no princípio, padre católico. Glória foi uma figura controversa, ocupado, frequentemente, em contendas com outros jornais de língua portuguesa e em demandas judiciais envolvendo acusações de difamação. Glória entrou no seminário nos Açores mas completou os seus estudos para o sacerdócio na Califórnia, no Seminário de S. Tomás, na Missão de S. José. Foi ordenado em 1885, servindo depois em paróquias de Oakland, S. Leandro e San Pablo. A sua decisão, em 1899, de abandonar o sacerdócio com vista ao casamento chocou a comunidade imigrante portuguesa. Nesse tempo, o rótulo de ataques anticlericais, a sua evasão, adicionou «lenha para a fogueira». Contudo, era muito admirado pelos seus talentos literários e veio a ser considerado o poeta aplaudido pelos portugueses na Califórnia, frequentemente escrevendo versos para comemorar ocasiões especiais ou para exaltar organizações e individualidades na comunidade luso-americana. Um dos seus trabalhos mais memoráveis foi um título épico Cabrilho. Tardiamente, publicou duas colectâneas dos seus versos, Poesias (1935) e Harpejos (1940). Geoffrey Gomes [Trad. de Luís M. Arruda]