Liberal (O)

1 Semanário político publicado em Angra do Heroísmo, com início a 29 de Março de 1835 e término a 9 de Julho do ano seguinte. Como o próprio nome indica, defendeu as ideias liberais, alternando entre a facção mais radical e o reformismo. Foi recusada a sua impressão em Angra, mas o *Açoriano Oriental publicou mais um número como forma de protesto contra o acto de censura. Foram redactores Nicolau Caetano Bettencourt Pita, Francisco de Lemos Álvares, Francisco Lúcio Duarte Rego e Roberto José da Silva. Nas suas páginas, defendeu os valores da nova ordem vigente, como a liberdade e a igualdade política, como exercício da cidadania que se consubstancia no pensar e no escrever. Para atingir tal desiderato, pugnou pela educação, associando a ignorância com o absolutismo. Era através da educação que se insinuavam os bons princípios, se mostrava os deveres do cidadão, que o fazia obedecer sempre às leis, mas empregando os seus esforços para que fossem as mais perfeitas possíveis (n.º 59). Sustentou polémica com a Sentinella Constitucional nos Açores, que representava o Partido Conservador, e O *Angrense. Carlos Enes 2 Semanário anti-jesuítico, publicado em Angra do Heroísmo, com início a 14 de Março de 1897. Foi seu editor responsável e administrador José Custódio. Em toda a sua linha editorial procurou denegrir a imagem daquela ordem religiosa e protestou contra o não cumprimento da legislação do Marquês de Pombal. Publicou artigos sobre a história da Inquisição, crimes praticados por vários Papas e até o próprio folhetim sobre instruções reservadas aos jesuítas os apresenta com uma carga negativa. Insurgiu-se contra o regresso deles à Terceira «terra berço da liberdade» onde «também já conseguiram implantar o seu baluarte». Denunciou o facto de terem tomado conta das casas de caridade, nomeadamente o Asilo, e atacou as missões que os padres jesuítas andavam fazendo pelas freguesias. Encerrou com o número 54, a 10 de Julho de 1898. Carlos Enes 3 Semanário republicano independente publicado em Vila do Porto, Santa Maria. Teve como director e administrador Henrique Augusto Rodrigues Paz e António Pereira Rezendes, como editor. A propriedade era da empresa do mesmo nome do jornal. Publicaram-se treze números entre 8 de Novembro de 1913 e 31 de Janeiro do ano seguinte. O editorial apresenta alguma originalidade, na medida em que afirma ser «uma audácia sairmos a lume numa ilha onde é acrescido o número de inimigos da leitura». Todavia, o amor que nutriam pela ilha levou-os a tomar a iniciativa porque um jornal «pede, clama e revoluciona». Num formato pequeno, o pouco espaço é preenchido com notícias locais, textos literários, poesia, anúncios de livros e questões de âmbito municipal, nomeadamente o embelezamento da vila. Carlos Enes 4 Semanário republicano, publicado em Angra do Heroísmo. Foi seu primeiro director António dos Reis, ao qual sucedeu, a partir do número 12, Antero Consiglieri Sá Pereira. De igual modo mudou o editor/administrador passando de Manuel Valentim Fernandes para Amaro Teixeira Borges. Politicamente, assume-se como um defensor dos princípios liberais erguidos na ilha Terceira no século XIX e apresenta-se como um «vigilante a observar o inimigo – o absolutismo – que parece esboçar-se em terras de liberdade». Defendeu o Partido Republicano Português, pugnando ao mesmo tempo pelos direitos da terra e por um povo livre. Para além de uma pequena secção literária, debruçou-se sobre temas de carácter económico e social, as obras públicas na ilha, opinou sobre o ensino liceal, comercial e industrial e introduziu um tema pouco habitual na imprensa açoriana: a emancipação da mulher. O primeiro número foi publicado a 11 de Janeiro de 1925 e encerrou com o número 40, a 1 de Novembro do mesmo ano, em véspera de eleições. Carlos Enes 5 Semanário publicado em Ponta Delgada, propriedade das comissões do Partido Republicano Português em S. Miguel. A direcção esteve a cargo da Federação Municipal de Ponta Delgada, tendo como editor Manuel Tavares A. Melo. Ao mesmo tempo que propagandeou as ideias do partido a que pertencia, procurou de igual modo opinar sobre os interesses gerais da ilha e não descuidou a defesa da República contra os ataques monárquicos. De acordo com esta postura entrou na liça com outros jornais. É um instrumento fundamental para o conhecimento do Partido Republicano Português na ilha, na medida em que divulga as listas dos membros que compõem as várias comissões, não só distritais como paroquiais. O primeiro número saiu no dia 11 de Março de 1926 e terminou com o número 10, a 20 de Maio do mesmo ano. Carlos Enes

Bibl. Alves, J. (1987), O Liberal e a Sentinela Constitucional nos Açores na corporização da “esfera pública” liberal. Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, XLV, I: 707-732.