Leite, Luís Filipe

[N. ?, ? – m. Lisboa, ?] Poeta e jornalista. Não era de S. Miguel, mas viveu com a família alguns anos nesta ilha onde o pai, Pedro de Alcântara Leite, teve um colégio de educação e instrução primária e línguas francesa e inglesa. Foi sargento, de quem se dizia que nunca tivera habilidade para riscar um mapa da companhia, mas veio a produzir bons versos que andam disseminados pelos jornais de Ponta Delgada, entre 1850 e 1853, nomeadamente na Revista dos Açores, em 1852 e 1852. Ainda naquele jornal publicou o libereto da ópera «Hayde», para que Madame Casella compôs a música, cantada no teatro de S. Sebastião, na rua da Louça, em Maio de 1852. Publicou um pequeno livro de contos populares com o título Suposições que podem ser realidades de que deu mostra no Agricultor Micaelense.

Ainda em Ponta Delgada, presidiu ao Grémio Trovador (1851-1854), constituído por pequeno grupo de homens novos que faziam versos e que reuniam, regular e semanalmente, para da leitura em comum das poesias que produziam e da respectiva crítica as fossem aperfeiçoando.

Em 1850, residia em Ponta Delgada António Feliciano de Castilho, com quem privou e a quem ficou a dever muito do seu saber, foi nomeado professor de francês e de inglês do Liceu. Em 1852, por influência de Castilho, foi chamado a Lisboa para dirigir a Escola Normal da Instrução Primária e de onde passou para professor do Liceu. Estava já reformado quando faleceu.

Alcançou notoriedade no jornalismo político da capital, quando trabalhou no jornal A Opinião e noutras folhas políticas em defesa do Partido Progressista antigo. Colaborou com vários jornais literários. Usou o pseudónimo Capitão Nemo.

Luís M. Arruda

Obra: (1850), Suposições que podem ser realidades. Ponta Delgada, Typ. da Rua das Artes.

 

Bibl. Supico, F. M. (1995), Escavações. Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada, I: 212; II: 633-634; III: 1148.