Leitão, Manuel Nunes
[N. ?, ? m. Angra, 27.6.1702] Era filho do antigo governador do Castelo seu homónimo e tinha já vivido na Terceira quando como moço de câmara integrara a casa de D. Afonso VI exilado em Angra entre 1669 e 1704. Era então capitão o seu pai. Provedor da Casa Real, mandara-o à capital em missão delicada de averiguar o que se passara na corte em Setembro de 1673, na conspiração para restituir D. Afonso VI ao trono. Nunes Leitão regressou a Angra na esquadra que em Agosto de 1674 veio retirar o rei exilado, como tudo especificamente conta Maldonado, testemunha ocular.
Manuel Nunes Leitão começou como praça de soldado e teve uma carreira auspiciosa, sendo sucessivamente alferes de mestre-de-campo, capitão de infantaria, tenente capitão de uma companhia de cavalos, moço de câmara e guarda-roupa do príncipe regente, ajudante tenente de mestre-de-campo general da corte, sargento-mor de um terço da guarnição da corte e capitão-mor da capitania de Paraíba, no Brasil de onde regressou para governar o castelo de S. João Baptista de Angra. Tinha-se distinguido pela sua acção na guerra da restauração, na província do Minho na campanha de 1662 e depois nas campanhas de 1666 e 1667. Entre 1669 e 1674 foi moço de câmara de D. Afonso VI e cumpriu a missão acima apontada.
Como capitão, quando regressara ao reino, ocupara o comando da guarnição de Sintra e na comarca de Leiria levantara com grande empenho os soldados para o seu terço de guarnição da corte. Na capitania da Paraíba, a partir de 1692, o seu governo também tivera grande êxito, em defesa da Fazenda Real, na reparação do forte de Cabedelo e na disciplina imposta aos soldados aí destacados.
Quando, por carta de 20 de Junho de 1701, foi nomeado governador do castelo de Angra, para substituir André *Cossaco que morrera assassinado nesse mesmo ano, foi também agraciado por carta de 12 de Julho com o título do Conselho de Sua Majestade. Recebeu uma ajuda extraordinária de 600$000 réis (26.8.1701) e o seu soldo era de 50.000$000 mensais pagos na feitoria da Alfândega de Angra. Chegou a esta cidade para tomar posse do Castelo a 24 de Outubro de 1701, recebendo o governo das mãos do sargento-mor António Dias de Paiva, que governava a fortaleza interinamente no interregno entre os dois governadores. Não esteve, porém, muito tempo neste posto, deixando por viúva D. Joana Maria de Albuquerque e foi sepultado na Igreja do Castelo. J. G. Reis Leite
Fontes. Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo, Reservados, Livro do registo do Castelo de S. João Baptista, «Carta do título de conselho», fl. 369; mantimento, fl. 369v; «Carta patente de governador», fls. 371-372v. Id., Paroquiais, Óbitos da Sé, 27.6.1702. Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo, Chancelaria da Ordem de Cristo (Antiga), «Alvará de 600.000 réis de ajuda de custo», 26.8.1701, livro 74, fl. 273v.
Bibl. Maldonado, M. L. (1990), Fenix Angrence. Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira, II: 502, 505, 516. Serrão, J. V. (1980), Historia de Portugal. Lisboa, Verbo, V: 210.
