Leitão, Manuel Nunes

[séc. XVII] Fidalgo da Casa Real, com uma larga folha de serviços militares. Foi capitão de infantaria, ajudante de tenente de mestre-de-campo general, sargento-mor, tenente general de infantaria, mestre-de-campo de um terço e sargento-mor de batalha. Serviu no Brasil e distinguiu-se na guerra da Restauração nas províncias do Alentejo e Minho, sendo mesmo ferido na cara e no peito.

Em 1669 acompanhou D. Afonso VI no exílio em Angra como provedor da casa de el-rei. Em carta à Câmara de Angra o regente D. Pedro ordenara que as ordens por ele dadas fossem cumpridas como de reais se tratassem e comunicava também que Nunes Leitão vinha nomeado governador do Castelo. Contudo, esta nomeação não teve efeito pois o governador Sebastião Correia de *Lorvela não estava incapacitado como se julgava na Corte e foi mantido no cargo. Só com a morte deste, em 1672, Manuel Nunes Leitão, assumiu o governo do Castelo, sendo depois nomeado pessoalmente por carta régia de 18 de Junho de 1673. Acabou o seu governo quando em 24 de Agosto de 1674 D. Afonso VI saiu da ilha de regresso a Lisboa e o governador o acompanhou, ficando no governo António Coelho de *Castro, segundo Maldonado para impedir que o tenente do Castelo, que era incompetente, assumisse o cargo.

Sobre Manuel Nunes Leitão, da sua estada em Angra como provedor da casa de D. Afonso VI e da sua acção, fala longamente Maldonado na Fenix Angrence, fazendo dele um retrato pouco abonatório e acusando-o de ter sido o responsável pelas suspeitas de uma tentativa de parte da nobreza angrense para repor no trono o infeliz rei Afonso. J. G. Reis Leite

Bibl. Maldonado, M. L. (1990), Fenix Angrence. Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira, II: 387, 470-472, 487-530, 552, 620.