Leitão, João Carlos da Silva
[N. Porto, 1771 m. ibid., 1828] Matriculou-se na Universidade de Coimbra em 1794, tendo obtido o grau de bacharel em Cânones em 1799. Seguiu a carreira de magistrado, com leitura de bacharéis e habilitação em 1802, sendo de seguida colocado como juiz de fora em Santa Cruz das Flores (carta de 11 de Agosto de 1803). Iniciava a sua carreira, em boa parte feita nos Açores, onde foi ainda juiz de fora na Graciosa (6 de Agosto de 1810 a 22 de Julho de 1819) e provedor dos resíduos (Amorim, I: 89). Em finais de 1819 foi encarregado pelo rei de criar no interior de Pernambuco a comarca do rio de S. Francisco, sendo-lhe concedido o lugar de desembargador ordinário da Relação da Baía, onde permaneceu de 1820-1824, e onde sofreu perseguições e viveu dias de angústia, como relata na Memória Justificativa de 1825. Nesse ano foi nomeado desembargador da Relação do Porto (carta de 27 de Maio de 1823) cargo que desempenhou até à morte.
Foi poeta bocagiano e neoclássico, medíocre, mas com boa formação humanista e um toque de modernidade.
Era tio materno de Almeida *Garrett, influindo na educação do sobrinho quando da estada deste em Angra (1811-1815). Com ele na Graciosa se terá passado a célebre cena do sermão pregado por Garrett adolescente. Aceitava em teoria os grandes ideais humanitários que inspiravam o movimento liberal, mas não acreditava na prática dos meios propostos para a sua execução.
Foi eleito deputado pela província dos Açores às Cortes cartistas, em Fevereiro de 1827, mas só prestou juramento na última sessão, a 10 de Janeiro de 1828. J. G. Reis Leite
Obras. (1806), O verdadeiro grande poema heróico offerecido ao ill.mo e ex.mo sr. Marquez de Sabogoza, governador e capitão general das ilhas dos Açores. Lisboa, s.e.. (1808), Ode em obsequio à nação britanica. Porto, Tip. de António Álvares Ribeiro. (1809), Ode a João Manuel de Mariz Sarmento. Lisboa, Impr. Regia. (1825), Memória justificativa do desembargador da Relação da Baía (hoje do Porto) João Carlos Leitão, sobre as causas que demoravam a sua retirada para Portugal até o ano de 1824; ou breve relação das revoluções acontecidas em a nova comarca do Rio de S. Francisco. Lisboa, Imp. Regia.
Bibl. Amorim, F. G. (1881), Garrett memórias biographicas. Lisboa, Impr. Nacional, I: 89 e segs.. Castro, Z. O. (dir.) (2002), Dicionário do vintismo e do primeiro cartismo (1821-1823 e 1826-1828). Lisboa, Assembleia da República, I: 788-789. Leite, J. G. R. (1999), As primeiras eleições cartistas nos Açores em 1826. Arquipélago, (2), III: 325-380. Moniz, A. B. C. (1981), Ilha Graciosa (Açores). Descripção Historica e Topographica. 2.ª ed., Angra do Heroísmo, Instituto Açoriano de Cultura: 135-145. Monteiro, O. M. C. P. (1971), A formação de Almeida Garrett. Experiência e criação. Coimbra, Centro de Estudos Românicos, I: 36, 63-69. Silva, I. (1973), Dicionário Bibliográfico Português. 2.a ed., Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, III: 341.
