laurissilva

Palavra latina que significa «floresta de loureiros», a floresta primitiva das ilhas atlânticas também designada por floresta de louro-cedro.

De origem oceânica e datando da Era Terceária, os arquipélagos dos Açores, da Madeira, das Selvagens, das Canárias e de Cabo Verde, que formam a região biogeográfica denominada *Macaronésia, foram colonizados por espécies botânicas (e animais) existentes naquele tempo geológico, no ocidente do continente europeu e no norte do africano e que, conjuntamente, têm sido denominadas por laurissilva. Naquela Era Geológica, devido às grandes perturbações climáticas, a laurissilva desapareceu quase completamente daquelas áreas continentais, mas subsistiu nestes arquipélagos, mesmo que sob forma peculiar para cada um deles. Naquela Era, durante os períodos frios, os arquipélagos centrais (Madeira e Canárias) e meridional (Cabo Verde) conservaram potencialidades para a sobrevivência daqueles elementos florísticos e durante os períodos de aquecimento, os arquipélagos centrais e nórdico (Açores) tornaram-se os mais favoráveis. Nesta perspectiva, os arquipélagos da Madeira e das Canárias possuiriam as comunidades mais ricas e mais evoluídas. O dos Açores, pelo seu afastamento e pela sua posição setentrional, não apresentaria senão um fácies frio e empobrecido das suas comunidades. O de Cabo Verde, pelo contrário, abrigaria um fácies quente e seco.

Do ponto de vista do clima, as ilhas dos Açores são favoráveis à ocorrência de comunidades serranas do tipo alpino. Todavia, talvez devido à idade, recente, das ilhas (10.000 anos) e ao isolamento, o arquipélago não possui qualquer ecossistema diferenciado (cf. Le Grand, 1984).

No tempo actual, o arquipélago dos Açores apresenta boas potencialidades de desenvolvimento para a laurissilva mas, devido ao desaparecimento da origem colonizadora, às variações climáticas e à redução considerável das áreas favoráveis, verificada recentemente, ela está representada por comunidades pouco diversas em espécies e muito sensíveis à invasão de outras novas. Luís M. Arruda

Bibl. Le Grand, G. (1984), Réflexions sur le peuplement de la Macaronésie, Arquipélago, (Ciências da Natureza), 5: 87-101.