Laranjeiras, barões e viscondes das – ilha de S. Miguel.

O título de barão das Laranjeiras foi concedido a Manuel de Medeiros da Costa Canto e *Albuquerque por decreto de D. Maria II, em 27 de Maio de 1836. Este primeiro barão tinha nascido em Ponta Delgada em 11 de Abril de 1798 (onde morreu em 28 de Abril de 1847) sendo filho de Agostinho de Medeiros da Costa Canto e Albuquerque, fidalgo da Casa Real, e de sua mulher D. Joana Soares de Albergaria. O primeiro barão, que sucedeu no morgado das Laranjeiras e vários outros vínculos, era padroeiro do convento da Conceição e descendia da mais influente oligarquia micaelense.

Destacado político açoriano, seguiu o Partido Liberal ao qual prestou assinalados serviços desde que, no início da sua carreira militar, procedeu ao recrutamento de importantes efectivos destinados às forças de D. Maria II. Em 1831, quando a ilha de S. Miguel se desligou do governo absolutista, foi nomeado presidente do Senado de Ponta Delgada.

Possuidor de avultados bens contribuiu financeiramente para a logística da expedição liberal que viria a desembarcar no Mindelo. Assumiu o comando do batalhão cívico encarregado da manutenção da ordem pública na sua ilha natal depois da partida das tropas constitucionais. Exerceu esse comando com dedicação até 1836. Dois anos mais tarde ser-lhe-ia confiado o cargo de administrador-geral da ilha de S. Miguel.

Em 1846, na sequência de um generalizado movimento de oposição ao governo de Costa Cabral, aderiu ao movimento da «Maria da Fonte» e foi nomeado presidente da Junta Governativa que, naquela ilha assumiu o poder, por delegação e em nome da Junta do Porto.

O primeiro barão das Laranjeiras tinha o foro de fidalgo-cavaleiro da Casa Real e era cavaleiro professo na Ordem de Cristo. Por Carta de 30 de Janeiro de 1832 foi nomeado para o Conselho de Sua Majestade Fidelissíma, e ascendeu ao pariato em 12 de Maio de 1842.

Casou em 2 de Agosto de 1815 com D. Maria Carlota Álvares Cabral (1798-1869), filha do morgado Joaquim José Álvares Cabral e de sua mulher D. Catarina (que, tendo enviuvado, passou a segundas núpcias com João Bento Botelho de Gusmão; sem geração) de quem teve, primogénito, António Manuel de Medeiros da Costa Canto e *Albuquerque.

Este, nascido 2 de Maio de 1816, e falecido em Julho de 1884, foi o segundo barão por decreto de 1848 (D. Maria II) e elevado a visconde por decreto de 10 de Junho de 1870 (D. Luís). O primeiro visconde, que era fidalgo-cavaleiro da Casa Real e Par do Reino por sucessão, comendador da Ordem de Cristo e grã-cruz da Ordem de Isabel a Católica, chefiou o Partido Setembrista na ilha de S. Miguel. Casou pela primeira vez em 26 de Dezembro de 1842 com D. Ana Júlia Borges da Câmara de Medeiros (1827-1849), filha dos primeiros viscondes da vila da Praia; com geração, e uma segunda com sua cunhada D. Mariana Augusta Borges da Câmara de Medeiros.

O segundo visconde deste título, Manuel de Medeiros da Costa Araújo e *Albuquerque, nasceu em Ponta Delgada, a 18 de Junho de 1848, filho primogénito do primeiro casamento do primeiro visconde foi adido à Legação de Portugal em Paris e deputado. Sucedeu no foro de cavaleiro-fidalgo da Casa Real, era comendador da Ordem de Cristo e cavaleiro da Legião de Honra em França. Casou em 6 de Agosto de 1870 com D. Elisa Brown da Ponte, filha de Manuel António da Ponte e de sua mulher D. Elisa Brown, mas não tiveram geração. O título de visconde das Laranjeiras passou ao ramo secundogénito da família na pessoa do terceiro visconde, António de Medeiros e Albuquerque, que era o filho mais novo do segundo casamento do primeiro visconde e, portanto, meio irmão do segundo visconde e irmão inteiro do terceiro barão. Foi fidalgo-cavaleiro da Casa Real e comendador da Ordem de Cristo. Tendo casado com sua sobrinha D. Virgínia de Medeiros Albuquerque e Ataíde, filha de sua irmã, D. Maria Carolina de Medeiros e Albuquerque e do marido desta última senhora, José de Ataíde Côrte-real da Silveira Estrela, deixou geração que continua até à actualidade.

Sucedeu no título de barão das Laranjeiras (em terceira vida), por decreto de 20 de Fevereiro e carta de 6 de Março de 1869, Duarte Borges de Medeiros da Costa e *Albuquerque, primogénito do segundo casamento do primeiro visconde e, portanto, meio-irmão do segundo visconde. Foi igualmente fidalgo-cavaleiro da Casa Real e distinguiu-se como pintor. Casou em Ponta Delgada em 22 de Janeiro de 1872 com D. Quitéria Leopoldina Rebelo Leite Botelho de Teive, nascida em 1855, filha de Francisco Leite Botelho de Teive, outrossim fidalgo-cavaleiro da Casa Real, senhor do palácio de Santa Ana, em Ponta Delgada, e de sua mulher D. Teresa Rebelo Borges de Castro.

Os terceiros barões das Laranjeiras tiveram três filhas, a primogénita e sucessora, D. Cristina de Medeiros e Albuquerque, veio a casar com Humberto de Bettencourt Medeiros da Câmara e deste casamento nasceu D. Margarida Ricarda de Albuquerque Medeiros da Câmara, casada com Jacinto António Botelho de Viveiros em cuja descendência anda a casa e título dos barões das Laranjeiras. Manuel Lamas