LAPA

Sigla da Liga de Acção Patriótica dos Açores, uma organização clandestina criada nos finais de 1975, para responder aos actos praticados pelas forças separatistas no arquipélago. Nos panfletos distribuídos, apresentava-se como um movimento que se propunha unir todos os açorianos, com ou sem partido político, que fossem patrióticos e que desejassem continuar a ser portugueses. A sua luta canalizava-se contra os separatistas-fascistas, traidores a Portugal e exploradores do povo açoriano. Do mesmo modo, propunha-se combater os governos centrais que não tomassem medidas favoráveis aos trabalhadores do arquipélago e que não aplicassem às ilhas as mesmas regalias obtidas no continente. Identificava o separatismo como uma tentativa dos grandes patrões e das classes privilegiadas que a todo o custo queriam escapar às consequências do processo revolucionário no continente. Informava que no seu seio militavam pessoas de todos os partidos que desejassem viver em liberdade e democracia, com excepção do Centro Democrático Social (CDS), considerado um partido fascista. A LAPA publicou alguns boletins, onde denunciava irregularidades praticadas pelos proprietários de terras no aumento das rendas e que não aplicavam a legislação em vigor, bem como algumas movimentações de elementos ligados à *Frente de Libertação dos Açores (FLA). Toda a documentação era feita e impressa no continente, chegando ao arquipélago por via clandestina e distribuída por várias ilhas. Embora agregasse elementos independentes, do Partido Socialista, do Movimento Democrático Português/Comissão Democrática Eleitoral, a LAPA encontrou nos elementos açorianos do Partido Comunista Português residentes em Lisboa, o seu núcleo mais dinâmico e o apoio logístico. Os objectivos do seu projecto foram em parte transferidos para o jornal *Farol da Ilhas, fundado em Lisboa em 1977, e a actividade da LAPA foi declinando. Carlos Enes