Lajes, freguesia
Heráldica A heráldica da freguesia foi aprovada a 23 de Junho de 1997. O brasão compõe-se de um escudo verde, com duas mãos aladas em voo inteiro, de prata, que suspendem uma laje de negro realçada; em chefe uma cruz da Ordem de Cristo, de vermelho perfilada de ouro e vazia de prata e, em ponta duas espigas de trigo de ouro, passadas em aspa. A coroa mural é de três torres e o listel branco contém a legenda a negro: Lajes Praia da Vitória. A bandeira é branca, com bordão e borlas de prata e verde, haste e lança de ouro. Com a elevação à categoria de vila, foi apenas acrescentada mais uma torre e alterada a legenda. Carlos Enes
História, Actividades Económicas e Culturais Freguesia e vila da ilha Terceira, concelho da Praia da Vitória. É uma das localidades mais conhecidas do arquipélago pelo facto de nela se ter instalado a base militar inglesa e americana, por alturas da II Guerra Mundial. A origem do topónimo deriva da existência de inúmeras pedreiras das quais se extraíam grandes quantidades de pedra, posteriormente transformadas em cantarias aplicadas na construção. Mesmo antes da internacionalização do seu nome, a freguesia das Lajes distinguiu-se no conjunto do arquipélago pela riqueza do solo, dado que fica situada no chamado Ramo Grande da ilha, zona de grande produção de cereais e de criação de gado. Em área menos significativa, possui alguns terrenos propícios à cultura da vinha, pomares e matos. Foi, todavia, uma freguesia com uma actividade económica muito diversificada. Ali foi introduzida a plantação da cana-de-açúcar, no século XVI, e da amoreira. Zona de grandes proprietários rurais, assistiu também à introdução de algumas indústrias. Nos finais do século XIX, foi implantada uma pequena fábrica de álcool por destilação da batata-doce, uma fábrica de chicória a que se seguiu, no século XX, uma dependência da Fábrica de Tabaco Flor de Angra, para armazenagem e secagem de tabaco. Apesar de ser uma zona rica, em 1940, 25% da sua população vivia no estado de pobreza, de acordo com os dados de uma relação dos pobres feita nesse ano. Com a instalação da Base, o sector primário sofreu algum declínio e toda a freguesia se transformou. Por um lado, porque se tornou um pólo de atracção de gente que ali se fixou, por outro porque se criaram uma série de serviços até então reservados aos espaços urbanos. Destaque-se a instalação de um posto dos correios, farmácia, agências bancárias, representantes de companhias de seguros, transitários, oficinas várias, moagem, padaria, um pequeno centro comercial, nos anos 60, e um mini-mercado, novidade num meio rural. Conjuntamente com o progresso advieram alguns problemas próprios de um crescimento repentino. A deslocação de pessoas de outras ilhas à procura de emprego na Base levou ao aparecimento de bairros de lata nas imediações, com os inerentes problemas sociais, alterações dos costumes e do tecido social. Os 2.986 habitantes, em 1930, cresceram para 4.906, em 1950, continuando a aumentar para 5.808, na década seguinte. Houve um pequeno decréscimo, em 1970, devido à emigração, mas em 1981 já ultrapassava os 6 mil habitantes. A freguesia apresenta assim uma das maiores concentrações populacionais da ilha. A estes dados estatísticos, poderão ainda juntar-se os militares portugueses e americanos, bem como civis, não contabilizados nos censos.
Embora se desconheçam as datas da fundação da paróquia e da freguesia, é apontada como uma das mais antigas da ilha. Tem como patrono S. Miguel Arcanjo e a sua igreja foi erigida pelo menos no século XVI. O edifício sofreu ao longo dos anos várias remodelações, geralmente relacionadas com a ocorrência de sismos. Até à separação da freguesia de S. Brás, a sua ermida era sufragânea das Lajes. Na freguesia existem ainda a ermida de Nossa Senhora dos Remédios, do século XVIII, a do Imaculado Coração de Maria, de 1988, a capela de Nossa Senhora do Ar, 1951, no perímetro da Base, e outra na serra de Santiago, dos primórdios dos anos 60.
O ensino para o sexo masculino iniciou-se com uma escola em 1848, transformada em escola pública em 1859. A primeira do sexo feminino começou a funcionar num posto em 1867 e a pública em 1872. A partir de 1951, a concentração de salas na Aldeia Nova, num edifício do Plano dos Centenários, não foi suficiente para albergar todos os alunos, sendo necessário recorrer a outras dependências. Em 1976, foi aberta uma escola na localidade do Cabouco dos Ventos e novas salas na Aldeia Nova. A Telescola funcionou alguns anos, depois de 1976, e foi instalado um jardim-de-infância em 1983. A criação de uma biblioteca nos anos 60 funcionou de forma muito irregular.
No campo recreativo e cultural fundaram-se a Sociedade Recreio Lajense, em 1931, e a Progresso Lajense, em 1947. Nelas se desenvolveram actividades teatrais, projecção de cinema, se fundaram duas filarmónicas e grupos de cantares regionais.
No campo desportivo, o futebol começou a praticar-se pouco depois de 1920, mas só tomou algum fulgor em 1958 com o Juventude Desportiva Lajense e o Unidos Futebol Clube. Ambos acabaram por se dissolver, retomando o primeiro a sua actividade nos anos 80, na sequência da fusão de pequenos clubes entretanto surgidos. A participação nas competições regionais permitiu a subida à Série Açores.
As festas mais populares são as do Rosário, no mês de Outubro, os bodos do Espírito Santo que decaíram a partir dos anos 60, e o Entrudo com as suas Danças. O grupo dos escoteiros deu os primeiros passos nos anos 70 e a Casa do Povo, criada em 1971, está instalada num edifício polivalente, desde 1982, com serviços comunitários, prestação de serviços de saúde primária e um dispensário materno-infantil. O abastecimento de água deixou de ser feito a partir dos chafarizes públicos com a canalização nos anos 70. A electricidade foi inaugurada em 1959. A freguesia caracteriza-se ainda pela existência de várias casas representativas da arquitectura do Ramo Grande e a permanência de exemplares da raça bovina primitiva. No ano de 2002 foi promovida a vila, por decisão da Assembleia Legislativa Regional. Carlos Enes
Bibl. Meneses, A. (2001), As Lajes da Ilha Terceira aspectos da sua história. Angra do Heroísmo, BLU Edições. Merelim, P. (1982), Freguesias da Praia. Angra do Heroísmo, Direcção Regional de Orientação Pedagógica da Secretaria de Educação e Cultura, I: 229-295.
