Lajes das Flores, vila e freguesia
História, Actividades Económicas e Culturais Sede do concelho, fica situada na parte sul da ilha das Flores voltada a este, tem 540 habitantes, 202 famílias e 278 edifícios (Censos de 2001). Terá sido a primeira vila da ilha, pois há quem assevere que já era vila em 1515, como paróquia dedicada a Nossa Senhora do Rosário (Gomes, 2003: 105-106). Com igreja desde os primeiros anos do século XVI, a actual igreja matriz foi construída entre 1763 e 1783, tendo desde então passado por várias obras de conservação e de beneficiação (Gomes, 2003: 107). Há ainda nela a capela de Nossa Senhora das Angústias, situada no cemitério da vila, edificada em 1729 por iniciativa de dois fidalgos espanhóis, naufragados nas proximidades do porto cerca de dois anos antes, certamente como promessa do seu salvamento (Gomes, 2003: 114). Nela terá existido ainda a ermida do Espírito Santo, junto do porto, a ermida de Santo António, que se situava nas proximidades onde hoje existe o largo com o mesmo nome, e a capela de S. Pedro, cujo local se desconhece (Gomes, 2003: 113-115).
Os seus limites situam-se a oeste a Rocha Alta e o Rebentão, e a norte a Grota do Telhal (Gomes, 2003: 164, 198).
A freguesia actualmente é constituída por três lugares ou povoações, correspondentes às três Irmandades do Espírito Santo ali existentes, a da Vila, a dos Morros e a do Monte, onde têm lugar todos os anos as festas alusivas mais populares dos açorianos. Também nas sedes desses seculares impérios sempre se realizaram outras actividades de interesse social, cultural e recreativo, nomeadamente o ensino escolar, o teatro, as eleições e outras reuniões populares.
A sua população vive hoje da agro-pecuária, dos serviços e da pesca: na agro-pecuária predomina a pequena propriedade de tipo familiar, onde a partir da década de 1960 passou a ser intensificada a produção bovina para carne e leite, substituindo progressivamente a de trigo, milho, inhames, batatas (branca e doce), feijão e outras hortaliças que antigamente eram essenciais para a alimentação dos lajenses e que na sua maioria já não existem; nos serviços salienta-se que os maiores empregadores são os serviços públicos; na pesca, que tem decaído face à reduzida população ali existente, são poucas as empresas que a ela se dedicam.
Na ribeira do Monte chegaram a existir nove moinhos de água, de tipo de rodízio com roda horizontal, para moer cereais, embora sem actividades simultâneas, situados entre o lugar da Cruz e o da Cancela da Vila, que hoje se encontram desactivados.
Associada presentemente à União das Cooperativas da Ilha das Flores existe a Sociedade Cooperativa de Lacticínios dos Morros, criada em 1918, que constituiu uma importante indústria, inicialmente para a produção de manteiga e mais tarde de queijo, a qual foi essencial para a economia dos lavradores lajenses durante o século XX (Trigueiro, 1998a: 23-41). As indústrias privadas de lacticínios que ali existiram desapareceram ou não tem significado económico.
Os terrenos destinados a pastagens, muitos deles antigamente destinados a agricultura, estendem-se pelo Vale das Lajes situado entre os montes da Pedrinha e dos Frades, onde existem os mais planos e maiores terrenos do género da ilha.
Dos diversos clubes de futebol que ali passaram a existir a partir de 1938, desporto instituído então pelo lajense João Gonçalves de Freitas, afectados pelo acentuado despovoamento da ilha a partir de 1954, hoje apenas existe o Clube de Futebol Marítimo de Lajes das Flores (Trigueiro, 1998a: 235-244).
Pelo mesmo motivo está suspensa, desde 1967, a Filarmónia Nossa Senhora do Rosário, fundada em 1932, que chegou a ter, para além da actividade musical da sua banda, outras actividades culturais e recreativas, nomeadamente do grupo coral da igreja e do grupo de teatro (Trigueiro, 1998a: 133-146). Nela distinguiu-se o maestro e compositor António Francisco Avelar, um dos músicos mais completos e competentes da ilha, que a dirigiu desde 1933 praticamente até à sua suspensão.
Com actividades desportivas voltadas para o mar, existe na vila o Clube Naval de Lajes das Flores, criado na década de 1990, que tem disputado várias competições a nível regional.
Diversos pontos de interesse turístico podem ser indicados, nomeadamente o Museu da Fábrica de Óleos de Cachalote, ainda não totalmente concluído, a Pedrinha, as lagoas Funda e Rasa e os Frades, de cujas estradas ainda se podem vislumbrar outras belezas naturais.
Dos diversos lajenses que se distinguiram salienta-se: o padre Américo Caetano Vieira (1928-1971), cónego, professor e reitor do Seminário de Angra; Maurício António de Fraga (1887-1970), comerciante, industrial e político; João (TiAna) Gomes Vieira (1907-1991), baleeiro; João Germano de Deus (1909-1974) comerciante; João Gonçalves de Freitas (1912-1994), desportista e agente comercial; Maria Antónia de Freitas Fraga (1918-1996), benemérita e enfermeira; José Pimentel Fraga (1922-2002), comandante da marinha mercante (Trigueiro, 2004: 241-244, 251-255, 295-298). José Arlindo Trigueiro
Bibl. Censos de 2001. Angra do Heroísmo, Serviço Regional de Estatística dos Açores. Gomes, F. A. N. P. (2003), A Ilha das Flores: da redescoberta à actualidade. Lajes das Flores, Câmara Municipal de Lajes das Flores. Trigueiro, J. A. A. (2003), Retalhos das Flores factos históricos do século XX. Lajes das Flores, Câmara Municipal de Lajes das Flores. Id. (1998a), Futebol na Ilha das Flores. Lajes das Flores, Câmara Municipal de Lajes das Flores. Id. (1998b), Filarmónicas das Flores. Santa Cruz das Flores, Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores. Id. (2004), Os Faróis Mais Ocidentais da Europa em Lajes e Ponta Delgada das Flores, O Monchique, Fajãzinha, n.º 83, de 23 de Dezembro: 6. Id. (2004), Florentinos que se Distinguiram. Lajes das Flores, Câmara Municipal de Lajes das Flores.
