Lajedo, freguesia
História, Actividades Económicas e Culturais Do concelho de Lajes das Flores, ilha das Flores, fica situada na parte sul da ilha, a uma distância de cerca de 10 quilómetros da respectiva sede, a oeste desta. Tem 107 habitantes, 43 famílias e 61 edifícios (Censos de 2001).
É constituída pelas povoações do Lajedo e da Costa, que distam uma da outra cerca de 2 quilómetros, e que correspondem a duas irmandades do Espírito Santo, sediadas em cada uma dessas localidades. Nas sedes dessas seculares instituições sempre se realizaram, para além das respectivas festas anuais, outras reuniões e actividades de interesse social, cultural e recreativo, nomeadamente, o ensino escolar e as eleições.
Um dos seus primeiros proprietários terá sido um tal João Soares, proveniente dos Mosteiros, da ilha de S. Miguel.
O lugar já seria habitado desde 1580, embora só fosse paróquia por alvará de 19 de Dezembro de 1823, desagregada da vila das Lajes (Gomes, 2003: 163). Tem como orago Nossa Senhora dos Milagres e, embora se desconheça a data certa de sua primeira ermida, sabe-se que a actual igreja é de 1771 ou de 1781, como indicam outros (Gomes, 2003: 165). Terá sido limitada de um lado pela Ribeira da Lapa e do outro pelo Rebentão e Rocha Alta (Gomes, 2003: 164). Todavia, pelas matrizes prediais e conforme mencionam os seus habitantes, os limites da freguesia a oeste são os da Ribeira do Fundão, correspondente ao antigo limite da freguesia de Lajes das Flores (Leite, 1990: 501).
Os seus habitantes vivem essencialmente da agro-pecuária com predomínio da pequena e dispersa propriedade e da empresa tipo familiar. As antigas culturas do trigo, milho, inhames, batatas e hortaliças têm dado lugar à intensificação da produção bovina para carne e leite. No lugar do Lajedo chegaram a existir cinco moinhos de água, embora sem actividade simultânea, enquanto que a Costa, menos populosa, tinha um que hoje ainda poderá ser facilmente activado.
Foi nesta localidade do Lajedo que, em 1799, abalaram vários rochedos e terras cultivadas de trigo situadas sobre os mesmos, onde andavam à tarde a ceifar a respectiva colheita, e, em menos de uma hora, foram revolvidas as terras de inhames de tal forma que ficaram as de baixo para cima e as de cima para baixo (Leite, 1990: 480). Esse grande deslizamento de terras terá dado lugar ao aparecimento da Pedra do Campanário, ex-libris da localidade.
Recorda-se que, embora a ilha das Flores seja de origem vulcânica, como fica já situada na placa tectónica americana, são poucos e insignificantes os vestígios de sismos ali ocorridos.
Servida por estrada desde a década de 1960, melhorada posteriormente e ampliada até à povoação da Costa, até então o seu acesso fazia-se por caminhos terrestres de pedra e terra batida e por via marítima, com uso do seu pequeno porto de pesca, hoje abandonado.
Foi nas suas costas, na Baixa Rasa, que em 10 de Junho de 1909 encalhou o navio inglês Slavonia, de 10.606 toneladas, com cerca de 372 passageiros e 225 tripulantes, que navegava de Nova York para Liverpool. Todos foram salvos mas o navio e a sua carga perderam-se quase totalmente. Para além de ter funcionado um cabo de vaivém entre o navio e a terra, as populações do Lajedo e as suas embarcações costeiras trabalharam no salvamento dos náufragos, juntamente com as das Lajes e as do próprio navio (Trigueiro, 2003: 27-31, 41-59).
Nela se constituiu a primeira cooperativa de lacticínios da ilha e talvez dos Açores, intitulada Sindicato Agrícola da Ilhas das Flores, cujo alvará foi assinado em 1918 pelo então Presidente da República, Sidónio Pais. Esse Sindicato foi instituído pelo pároco da freguesia, padre José Furtado Mota, e deu lugar ao movimento cooperativo que nesse tempo se estendeu a toda à ilha e à vizinha ilha do Corvo, movimento esse que foi de grande significado económico para a lavoura e que perdura no sector dos lacticínios (Trigueiro, 2003: 41-59).
É no lugar da Costa, junto ao mar, que se encontra uma das duas nascentes de água quente existentes na ilha, que a maré quando cheia chega a cobrir.
Como pontos naturais de interesse turísticos salienta-se na localidade a vista da Estrada Regional, bem como a da lomba que separa o lugar do Lajedo do da Costa, com passagem pelo Campanário, cuja pedra e rochas limítrofes são dignas de apreciação.
Naturais da freguesia distinguiram-se: Maria Apolónia Alves (1909-1939) médica (Ilhas das Flores, 1957); Maria de Jesus Tomás (1912-1970), professora e poetisa; o Padre Francisco Caetano Tomás (1924-....), professor e sociólogo, cónego e monsenhor (Trigueiro, 2004: 219-222, 285-289); e José de Freitas Escobar Jr. (1902-1986), técnico de contas, lavrador e político. José Arlindo Trigueiro
Bibl. Censos de 2001. Angra do Heroísmo, Serviço Regional de Estatística dos Açores. Gomes, F. A. N. P. (2003), A Ilha das Flores: da redescoberta à actualidade. Lajes das Flores, Câmara Municipal das Lajes das Flores. Ilha das Flores (1957). Correio da Horta, Horta, n.º 7.495, de 15 de Julho: 8. Leite J. G. R. (1990), Um Retrato da Ilha das Flores no Final do Antigo Regime A Memória do padre José António Camões. Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, XLVIII [transcreve deste padre o «Relatório das Cousas Mais Notáveis... nas Ilhas das Flores e Corvo», 1815-1822] Trigueiro, J. A. A. (2003), Retalhos das Flores Factos Históricos do Século XX. Lajes das Flores, Câmara Municipal das Lajes das Flores. Id. (2004), Florentinos que se Distinguiram. Lajes das Flores, Câmara Municipal das Lajes das Flores.
