ladrilho

Designação local dos passeios laterais das ruas (Lobão, 2003; Lopes Jr., 1959; Faria, 1997; Machado, 1917; Serpa, 1987). Segundo Lopes Jr. (1959), pelo menos a partir do século XVII, a palavra «ladrilho» tornou-se sinónimo de passeio, faixa lajeada ou empedrada que marginava os arruamentos, destinada à circulação de peões. A substituição das lajes por «ladrilhos» promoveu o embelezamento das ruas sobretudo a partir da década de 40 do século XX.

Seguindo a tradição da «calçada portuguesa», de contrastes claro-escuro, combinam o basalto, negro, com o calcário, branco. Nos Açores, é na cidade da Horta que os «ladrilhos» adquirem maior expressão artística. Os motivos decorativos são diversos indo da identificação dos proprietários dos imóveis ou das actividades comerciais confrontantes até aos motivos vegetalistas, náuticos, regionais e nacionais, e até geométricos.

De modo geral, nos Açores, o fundo dos ladrilhos é escuro da cor do basalto, ao contrário do que acontece no continente onde o fundo é claro da cor do calcário. Luís M. Arruda

Bibl. Faria, O. S. (1997), O nosso falar ilhéu. Angra do Heroísmo, Edições Blu. Lobão, C. (2003), Os ladrilhos da cidade da Horta. Horta, Junta de Freguesia da Matriz. Lopes Jr., F. (1959), Os ladrilhos da Terceira, Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, 17: 287-289. Id. (1960), Vocabulário regional terceirense, Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, 17: 10-84. Machado, F. L. (1917), Vocabulário regional: colhido no concelho das Lages (ilha do Pico). Coimbra, Imprensa da Universidade. Serpa, J. M. (1987), A Fala das Nossas Gentes. Ponta Delgada, Signo.