Lacerda, António Silveira de

[N. Cedros, Horta, 1618 – m. ibid., 9.11.1686] Herói da Restauração de Portugal. Muito novo, acabado de chegar ao Faial vindo de Lisboa, teve notícia da restauração da independência de Portugal. Aclamado D. João IV nos Açores, seguiu com outros para a ilha Terceira, a auxiliar na expulsão dos cerca de 500 espanhóis que ocupavam o forte de S. João Baptista, sob o comando do general D. Álvaro Viveiros.

Depois seguiu para Lisboa onde assentou praça no Regimento da Armada (1652). Com um terço deste Regimento combateu em Badajoz (1658), em Elvas (1659), na Galiza (1662), em Évora (1663), em Lamosa e Castelo Rodrigo (1664) e noutras localidades.

Promovido a capitão (1664), feita a paz, foi governador da praça de Montalegre.

Regressado ao Faial, foi nomeado comandante da companhia de infantaria paga e governador do forte de Santa Cruz, por carta patente de 15 de Março de 1672.

Voltando a Lisboa, em 1681, obteve a reforma com o lugar de escrivão da Alfândega da Horta, com direito à sucessão em linha recta, por carta régia de 20 de Março de 1682.

Por carta de 15 de Novembro de 1668 teve direito ao uso de brasão de armas. Em 15 de Janeiro de 1669 foi feito fidalgo cavaleiro com a mercê da Ordem de Cristo.

Está sepultado em campa própria, na capela de Nossa Senhora da Piedade, de que era protector, na igreja de S. Francisco, na cidade da Horta. Luís M. Arruda

Bibl. Lima, M. (1922), Famílias Faialenses. Horta, Tip. «Minerva Insulana». Id. (1943), Anais do Município da Horta. Vila Nova de Famalicão, Oficinas Gráficas Minerva. Pedra tumular que é um monumento digno da história dos faialenses (1964), O Telégrafo, Horta, n.º 19.323, 5 de Abril [transcrito de Diário Insular, Letras e Artes, por João Afonso]. Um cedrense ilustre (1928), O eco cedrense, Cedros, Horta, Ano I, n.os 19-20, 25 de Dezembro: 310-311.