labandeira
Também dito lavandeira, são nomes vulgares de Motacilla cinerea (Motacillidae), ave pertencente à ordem Passeriformes [para HISTÓRIA NATURAL ver alvéola-cinzenta], também conhecida, correntemente, na ilha de S. Miguel, por arvelinha (de arvéloa) e por alvéola e alvéloa, segundo Cortes-Rodrigues (s.d.), também é conhecida por «galinha-de-Nossa-Senhora».
Segundo a tradição, quando a Virgem Maria, fugindo à perseguição de Heródes, seguia para o Egipto, o tremoço nos campos tinia, indicando a passagem de gente, a codorniz levantava voo à frente, gritando «cá vai!» e a labandeira, atrás, com a cauda desfazia as pegadas do jumento, apagando o caminho da fuga.
Ainda segundo a tradição, a Virgem amaldiçoou o tremoço, que nunca enchesse barriga ou matasse fome a alguém, e a codorniz, que só voasse rasteira, e abençoou a arvelinha, que ganhasse poder contra adversários mais fortes, de onde o adágio popular: A arvelinha mata o milhafre (cf. Cortes-Rodrigues, s.d.).
Na ilha das Flores é conhecido o adágio Labandeiras pelas portas, águas pelas grotas. Em S. Miguel, também há a crendice de que é sinal de dia feliz quando a primeira coisa que se vê ao sair de casa é uma arvelinha. Luís M. Arruda
Bibl. Cortes-Rodrigues, A. (s.d), Adagiário popular açoriano. Angra do Heroísmo, Secretaria Regional da Educação e Cultura.
