junco

Nome pelo qual são conhecidas pelo menos as plantas da família das Juncáceas (Monocotiledónea) pertencentes às espécies Juncus maritimus, segundo Bernardo e Montenegro (2003), Juncus acutus, segundo Sjögren (2001) e Juncus bulbosus, segundo Schäfer (2002), mas outras espécies deste género estão registadas para o arquipélago como Juncus capitatus, Juncus effusus, Juncus tenuis, Juncus articulatus, Juncus bufonius (*junco-dos-sapos) que são designadas por aquele nome genérico.

Juncus maritimus, segundo Franco e Afonso (2003), é um geófito rizomatoso com rizoma rastejante, por vezes frouxamente cespitoso; rebentos intravaginais nulos; caules com 50-150 cm, geralmente com 1,5-3 mm de diâmetro, com 2-4 folhas, envolvidos na base por 2-5 bainhas ferrugíneas e brilhantes; inflorescência com (5-)10-25(-35) cm, multiflora, em geral frouxa; bráctea inferior mais ou menos comprida formando um prolongamento aparente do caule, tornando a inflorescência pseudolateral; bráctea superior geralmente curta; segmentos do perigónio desiguais, os externos com 3-4 mm, ovados, mais ou menos naviculares, agudos e mucronulados, os internos mais curtos, estritamente elípticos, obstusos; cápsula com 2,5-4 mm, trigonal-ovóide; sementes com 0,7-1,2 mm incluindo os dois apêndices hialinos.

Ocorre nas ilhas Pico, S. Miguel e Terceira (Silva et al., 2005) frequentemente na região marítima, menos frequente em sítios húmidos do interior como margens de linhas de água (Franco e Afonso, 2003).

Juncus acutus, segundo Sjögren (2001) e Franco e Afonso (2003), é um hemicriptófito semi-arrosetado, densamente cespitoso formando moitas; rizoma grosso e curto; rebentos intravaginais presentes; caules até 100 cm de altura, geralmente com 2-4 mm de diâmetro, rígidos, de extremidade muito afiada; inflorescência composta por numerosas flores castanho-avermelhadas pequenas, geralmente densa e subglobosa a ovóide, menos vezes frouxa e alongada; bráctea inferior mais ou menos comprida e frequentemente ultrapassando a inflorescência, formando um prolongamento do caule, tornando a inflorescência pseudolateral; bráctea superior curta; segmentos do perigónio iguais ou subiguais em comprimento, com 2,4-4 mm e as margens escariosas, os externos agudos ou obtusos, os internos com duas aurículas apicais largas e escariosas; cápsula sobressaindo muito do perigónio, ovóide-cónica a subglobosa; sementes com atesta prolongada nas duas extremidades em apêndice hialino, e com 1,2-1,8 mm incluindo os apêndices.

Ocorre em todas as ilhas (Schäfer, 2002; Silva et al., 2005). Habitualmente cresce muito próximo da costa em habitats fortemente expostos, no entanto na ilha do Corvo é visto a crescer acima dos 150 m de altitude. Nas falésias costeiras, em fendas e em depósitos de areia e pedra. É observado, principalmente, em locais onde o coberto vegetal é esparso, associado a Plantago coronopus, Euphorbia azorica e Lotus suaveolens (Sjögren, 2001).

Juncus bulbosus, segundo Franco e Afonso (2003) e Schäfer (2002), é um hemicriptófito semi-arrosetado, não rizomatoso, helófito ou hidrófito; o caule tem entre 20-40 cm, quando terrestres, podendo atingir cerca de 100 cm quando flutuantes ou submersos, finos, enraizando nos nós, e frequentemente tuberoso-engrossados na base; folhas basais, glabras, com base bolbosa; flores actinomórficas, em inflorescência com 1 a cerca de 20 glomérulos, as flores por vezes substituídas por gemas vegetativas; bráctea inferior mais curta que a inflorescência; segmentos do perianto acastanhados, cerca de 3 mm; cápsula, com 3 ângulos, com cerca de 3 mm de comprimento e muitas sementes com cerca de 0,5 mm. Perene. Floresce de Maio a Agosto.

Nativa do Macaronésia, Europa e Norte de África (Schäfer, 2002), é comum nas ilhas Corvo, Flores, Faial, Terceira e S. Miguel (Franco e Afonso, 2003; Silva et al., 2005), em pastagens húmidas, açudes, ravinas e valas acima dos 300 m de altitude, frequentemente submersa (Schäfer, 2002; Franco e Afonso, 2003).

Juncus effusus, segundo Franco e Afonso (2003), é um hemicriptófito semi-arrosetado formando densos tufos; rizoma oblíquo e curto; caules com 30-150 cm e 1,5 mm de diâmetro, verde-vivo ou verde-amarelados, brilhantes, com 30-70(-90) estrias, envolvidos na base por bainhas avermelhadas a castanho-escuras, baças; medula contínua; inflorescência com 1,5-7(-10) cm, multiflora; bráctea inferior mais comprida que a inflorescência; segmentos do perigónio subiguais, com 1,3-3 mm, lanceoladas a ovado-agudos, verde-acinzentados a acastanhados; cápsula um pouco mais curta ou tão comprida como o perigónio, obovóide e elipsóide; sementes com 0,4-0,5 mm, reticuladas.

Ocorre em todas as ilhas (Schäfer, 2002; Silva et al., 2005), em sítios húmidos, geralmente em solos profundos (Franco e Afonso, 2003).

Juncus tenuis, segundo Franco e Afonso (2003), é um hemicriptófito semi-arrosetado, cespitoso; caules com 10-80 cm, finos, rígidos ou flexíveis; folhas com 10-25 cm x 0,5-2 mm, geralmente todas basais ou algumas situadas no ¼ inferior do caule, planas a convolutas, incurvadas, com uma larga base invaginante tendo no cimo duas aurículas esbranquiçadas, compridas e obtusas; inflorescência com 1,5-8 cm, frouxa, com os ramos desiguais, tendo na base 1-3 brácteas foliáceas bastante mais compridas que o tamanho da panícula; segmentos do perigónio com 3-4 mm, subiguais, estreitamente lanceolados e acuminados, verde-amarelos, com margens escariosas; cápsula mais curta que o perigónio, largamente ovóide; sementes com 0,3-0,4 mm.

Nativa da América do Norte e da América do Sul, ocorre em arrelvados, margens de caminhos e descampados (Franco e Afonso, 2003), de todas as ilhas, excepto na Graciosa (Schäfer, 2002; Silva et al., 2005).

Juncus capitatus, segundo Schäfer (2002) e Franco e Afonso (2003), é um terófito; caules com 2-14(-20) cm, finos; folhas curtas, convolutas ou menos vezes subplanas; bainhas alargadas, com as margens escariosas, não auriculadas; inflorescência com 1-4 glomérulos de 2-8 flores, raramente nas plantas muito pequenas apenas com uma só flor; bráctea inferior foliácea, geralmente mais comprida que a inflorescência; segmentos do perigónio desiguais, os externos com 3-4(5) mm, ovados e longamente acuminados, os internos mais curtos, quase inteiramente escariosos, agudos a acuminados; cápsula, ovóide, com muitas sementes, cerca de 2 mm de diâmetro; sementes ovóides com cerca de 0,3 mm. Anual. Floração Abril a Julho.

Nativa da Macaronésia, Europa, Norte e Sul da África (Schäfer, 2002), ocorre em todas as ilhas, excepto Graciosa (Schäfer, 2002; Silva et al., 2005) dispersa a comum em pastagens, declives, campos arenosos e bermas de caminhos até 1.000 m de altitude (Schäfer, 2002).

Juncus articulatus, segundo Franco e Afonso (2003), é um proto-hemicriptófito ou helófito rizomatoso; caules com 5-70 cm podendo atingir cerca de 100 cm quando flutuantes, erectos ou ascendentes, por vezes enraizando nos nós, mais ou menos estriados, com 0-2 bainhas basais e 2-6 folhas caulinares; folhas com 0,5-1,5 mm de diâmetro, roliças ou levemente compridas, unitubulosas, perfeitamente septadas; bainhas com aurículas alongadas e obtusas; inflorescência com 3-15 cm, erecta, geralmente frouxa, com (3-)5-50(-80) glomérulos hemisféricos a subglobosus, com 3-10 mm de diâmetro e 3-15 flores, pedunculados ou sésseis; bráctea inferior foliácea, mais curta que a inflorescência; segmentos do perigónio com 2,5-3,5 mm, subiguais, ovados a lanceolados, os extremos mais ou menos agudos e um tanto aquilhados, os internos de obtusos a subagudos e planos, com as margens largamente escariosas; cápsula geralmente exserta do perigónio, trigonal-ovóide a elipsóide; sementes com 0,5-0,6 mm reticuladas.

Ocorre em sítios húmidos ou encharcados (Franco e Afonso, 2003) nas ilhas Corvo, S. Jorge, Terceira, S. Miguel e Santa Maria (Schäfer, 2002; Silva et al., 2005). Luís M. Arruda

2, s. A caruma do pinheiro. Cf: «Quando chegou a Sã Lazro / O meu bem adivinhou / Que eu gostava da ermidinha / Que o verde junco juncou» (Nemésio, FR: 21). João Saramago e José Bettencourt

Bibl. Bernardo, M. C. R. e Montenegro, H. M. (2003), O falar micaelense. S.l., João Azevedo Editor. Franco, J. A. & Afonso, M. L. R. (2003), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores). Volume III, fascículo III, Juncaceae - Orchidaceae. Lisboa, Escolar Editora. Schäfer, H. (2002), Flora of the Azores, A field guide. Weikersheim, Margraf Verlag. Silva, L., Pinto, N., Press, B., Rumsey, F., Carine, M., Henderson, S. e Sjögren, E. (2005), Lista das plantas vasculares (Pteridophyta e Spermatophyta). In Borges, P. A. V., Cunha, R., Gabriel, R., Martins, A. F., Silva, L. e Vieira, V. (eds.), A list of terrestrial fauna (Mollusca and Arthropoda) and flora (Bryophyta and Spermatophyta) from the Azores. Horta, Angra do Heroísmo e Ponta Delgada, Direcção Regional do Ambiente e Universidade dos Açores: 131-155. Sjögren, E. (2001), Plantas e flores dos Açores. S.l., ed. do autor.