Jorgense (O)

1 Primeiro jornal a ser publicado na ilha de S. Jorge. Começou a ser editado na vila das Velas, em 15 de Fevereiro de 1871, como quinzenal politico, litterario e noticioso. A publicação sofreu uma primeira interrupção entre 15 de Agosto do ano da fundação, data da publicação do número 13, e 1 de Maio de 1872, mas durante esse período foram publicados três suplementos àquele número. Após várias outras interrupções, deixou de ser publicado em 15 de Novembro de 1879, com o número 195 (Avelar, 1902; Sousa, 2003). Foi impresso, até ao número 13 (15.8.1871), num prelo de madeira propriedade de José Urbano d’Andrade e, depois, a partir do número 14, em prelo de metal, importado de Inglaterra (Avelar, 1902), na tipografia Andrade & Silveira, largo das Caravelas, 9.

José Urbano d’Andrade foi proprietário e editor até àquela interrupção de 15 de Agosto, quando Anselmo de Sousa Bettencourt e Silveira passou a director e José Urbano d’Andrade a responsável. Inclui colaboração de Mariana Belmira d’Andrade, Rita dos Anjos, Pereira da Silveira, João Caetano de Sousa e Lacerda, João Duarte Andrade, Manuel Machado Pamplona, José de Matos da Silveira e Delfina Vieira Caldas.

O editorial do primeiro número, Villa das Vélas, começa: «Convencidos de que a publicação d’um jornal politico, litterario e noticioso, trasendo à téla da discussão o que mais convem a bem dos povos d’esta terra, lhes seria de grande utilidade, visto que desde longas eras se acham quasi descurados de todos os seus interesses moraes e materiaes, encarregamo-nos, não com pequeno sacrificio, da parte material d’estes trabalhos.»

Formato 42,2 cm x 28,5 cm, 4 páginas, 3 colunas, inclui editorial com o título genérico Villa das Vélas e folhetim. Trata especialmente de questões da política a que estava ligado, o Partido Progressista, mas também de assuntos históricos, culturais e informativos, locais e regionais. Inclui diversos artigos sobre questões interessando à história local e açoriana, assinados por João Teixeira Soares de Sousa. Luís M. Arruda 2 Jornal semanário, político e noticioso. Começou a ser editado na vila das Velas, em 24 de Abril de 1880, para apoiar o Partido Progressista. Terminou em 1882, com o número 97 e seu suplemento, faltando-lhe o número 94, passando do 93 a 95.

Foi seu proprietário e redactor principal João Francisco *Escobar e redactor auxiliar Manuel Andrade que já havia colaborado com O Jorgense 1.

Além da política, tratava de questões agrícolas e comerciais.

Era impresso em tipografia própria. Luís M. Arruda 3 Jornal semanário, com o subtítulo político, agrícola, comercial e noticioso, no primeiro número, quinzenal político, agricola, litterario e noticioso. Órgão do Partido Progressista, começou a ser editado na vila das Velas, em 24 de Outubro de 1886, para ser oposição a O *Ecco Jorgense, de política regeneradora. Foi publicado pelo menos até 10 de Março de 1888, número 28. Era redigido por Manuel Andrade (Sousa, 2003) e impresso em tipografia própria.

No editorial do primeiro número, Vélas, 23 de Outubro de 1886, quase no início, explica o aparecimento deste jornal: «Tornava-se, com effeito, urgente, oppôr uma barreira á torrente vituperios, de falsidades, de intrujices, finalmente, que um supposto orgão politico da localidade, ejacula em cada semana». E a terminar: «É pois, simultaneamente, o amor da verdade e o amor da pelle, que nos tràz de novo á arena da imprensa periodica.

«Perfeitamente a – lucta pela existencia – de que nos fala Darwin – uma cousa muito seria e muito respeitavel.

«Que nos atire a primeira pedra o que se julgar isento de culpa».

Formato 42 cm x 30 cm, 4 páginas, 4 colunas, inclui o editorial Vélas, data, folhetim, anúncios, principalmente judiciais, e trata de questões locais, comerciais e agrícolas, e regionais. Inclui colaboração de Manuel Andrade, Alberto Braga. Luís M. Arruda 4 Folha semanal, passou a Folha independente em 10 de Setembro de 1902. Começou a ser editado na vila das Velas, em 8 de Julho de 1899. Inicialmente, João Duarte de Sousa foi redactor e administrador e André Góis foi editor. Em 21 de Julho de 1900 (número 53) Emilio Berquó Avellar substituiu Duarte de Sousa como administrador. Em 20 de Setembro de 1902, a redacção passou para António dos Reys Junior. Era impresso na rua do Outeiro.

Ao começar o editorial do número 1, justifica o seu aparecimento como segue: «O título do nosso humilde semanario, não tem analogia de ideias com os jornaes que, com egual titulo, n’esta villa se publicaram. Esses illustrados predecessores, foram orgãos de fracções partidarias; este não tem feição política.

«O principal intuito d’este jornal é promover o bem da sociedade jorgense, cooperando em tudo que possa auxiliar o progresso moral e material de esta malfadada ilha, talvez digna de melhor sorte».

O formato, inicialmente, 42 cm x 27 cm, 4 páginas, 4 colunas, com o número 53 (21.7.1900), foi reduzido para 33,5 cm x 22,5 cm, 4 páginas, 3 colunas. Voltou ao formato anterior com o número 74 (1.1.1901), passando a periodicidade trimensal, com publicação nos dias 1, 10 e 20 de cada mês. Redacção, administração e oficinas continuaram na mesma rua que entretanto tomou o nome de Dr. Miguel Teixeira. Inclui editorial, folhetim, notícias locais, telegramas e anúncios, muitos deles judiciais.

Terminou com o número 122 (5.10.1902). Luís M. Arruda 5 Jornal, inicialmente semanário e depois de periodicidade irregular, que começou a ser publicado na vila das Velas, ilha de S. Jorge, em 31 de Março de 1988 (número 0). Foi director António José Teixeira Soares e tinha sede na rua João Teixeira, 8, daquela vila.

No editorial «Pelo mundo ao serviço da ilha», número 0, está escrito, a começar, «Poderá parecer demasiado ambicioso o desidrato que nos propomos atingir, ao iniciarmos a publicação semanal deste jornal.

«Como outros açorianos, os Jorgenses [sic] também vivem nos mais díspares lugares ou Países: Canadá, E. U. América, França, Austrália e Brasil são disso exemplo significativo.

«O nosso ideal é chegar também até eles, levando-lhes a imagem escrita daquilo que vai sendo em termos sócio-económicos e culturais a nossa ilha.»

Formato 42,7 cm x 30,7 cm, 6 páginas, 6 colunas, inclui notícias locais e regionais, alguns artigos sobre a história da ilha e publicidade. Os artigos e a publicidade são geralmente ilustrados com fotografias.

Foi publicado até ao número 6, referindo o período de 6 de Julho a 6 de Agosto de 1988. Luís M. Arruda

Fontes. 1 Colecção, incompleta, existente na Biblioteca Municipal de Velas (números 1, de 15.2.1871, a 99, de 15.11.1875). 2 Colecção, incompleta, existente na Biblioteca Municipal de Velas. 3 Colecção existente na Biblioteca Municipal de Velas. 4 Colecção existente na Biblioteca Municipal de Velas. 5 Colecção existente na Biblioteca Pública e Arquivo Regional da Horta.

 

Bibl. Avelar, J. C. S. (1902), Ilha de S. Jorge. Horta, Typ. Minerva Insulana. Imprensa periodica nos Açores, (1982), Arquivo dos Açores. Ponta Delgada, Universidade dos Açores, 8: 533. Ribeiro, J. R. (1985), História dos jornais editados em S. Jorge. Braga, Edição do Autor. Sousa, J. D. (2003), Ilha de S. Jorge. Apontamentos históricos e descrição topográfica (2.ª edição). Velas, Câmara Municipal de Velas.