jarro
Nome vulgar atribuído nos Açores a duas plantas. 1 Também conhecido pelos nomes vulgares de serpentina e de serpentinola, Arum italicum (Araceae). Arum é uma palavra proveniente do grego aron designação usada por Theophrastus. São plantas muito variáveis, herbáceas, perenes e rizomatosas. O tubérculo é horizontal; as folhas são sagitadas ou hastadas e nas espécies que temos observado nos Açores são verdes, embora haja plantas desta espécie, com folhas maculadas de branco e de negro, nunca as encontramos neste arquipélago; as flores nuas, unissexuais ou estéreis, encontram-se dispostas numa espádice livre e rectilínea, com apêndice aclavado, as flores femininas encontram-se na base, as flores masculinas, apertadas umas contra as outras e com antenas sésseis, ficam na parte superior tendo por cima e por baixo flores estéreis, a espata é esbranquiçada ou amarelada, com as margens enroladas e livres; os frutos são bagas alaranjadas ou encarnadas que ficam aderentes à espádice formando uma espiga cilíndrica. Esta planta desenvolve-se em zonas húmidas e ricas em matéria orgânica. Em zonas ensombradas não produz flores. Reproduz-se pelas sementes ou pela separação dos tubérculos. Encontra-se largamente naturalizada nas zonas subtropicais, na região mediterrânica, nas Canárias, no Sul e ocidente da Europa. 2 Zantedeschia aethiopica (Araceae). Planta originária da África do Sul, encontra-se hoje largamente difundida pelas regiões subtropicais. Prefere lugares ensombrados, húmidos e ricos em matéria orgânica. É uma planta herbácea, vivaz, e rizomatosa. Quando encontra condições favoráveis chega a atingir 250 cm de altura. Os rizomas são carnudos, muito ramificados; as folhas são ovado cordadas ou hastadas, verde brilhantes; as inflorescências são espádices, têm pedúnculos esponjosos e excedem as folhas; as flores nuas e unissexuais, dispostas em espádice séssil, de comprimento variável, amarelo pálido, espata branca; os frutos são bagas amarelas ou alaranjadas. Reproduz-se pelas sementes ou pela divisão dos tubérculos. Introduzida como ornamental, encontrou condições favoráveis, e espalhou-se por muitas matas. Cultivada na berma das estradas, desenvolve-se sem cuidados especiais. Mantém a folhagem todo o ano e floresce abundantemente no início da Primavera. É por vezes usado para flor cortada. Recentemente foi introduzida nos Açores a variedade Green Godess. Bastante semelhante, apresenta as folhas menos brilhantes e as espatas maculadas de verde. Por enquanto, encontra-se apenas em jardins. Raquel Costa e Silva
Bibl. Coutinho, A. X. P. (1913), A Flora de Portugal. Lisboa, Aillaud, Alves & C.ª-Paris, Livraria Bertrand-Lisboa: 113. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das plantas vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açorianos Afonso Chaves: 171. The New Royal Horticultural Society Dictionary of Gardening (1992). Londres, The Macmillan Press Limited, I: 248; 4: 7341.
