Jacques, Manuel (M. J. de Oliveira)

[N.?, séc. XVII – m. ?, depois de 1657] Era filho do capitão Pedro Jacques e ele também capitão da companhia de ordenanças da Ribeirinha. Em 1641, quando se deu a aclamação de D. João IV em Angra e se iniciou o cerco dos castelhanos no castelo de S. Filipe, no dia 28 de Março desse ano, no início da guerra, quinta-feira santa, alguns populares acometeram o *castelo de S. Sebastião, o castelinho, mas começaram a ser repelidos pelo cabo Respanho e 25 soldados lá aquartelados. Manuel Jacques, acabado de chegar da Ribeirinha com os milicianos, apesar de cansados, acometeu a porta principal com machados. Um português que estava no interior informou o capitão Jacques que a casamata estava desguarnecida e este, ordenando que continuassem a atacar a porta, para não dispersar os sitiados, subiu com um punhado de soldados pela casamata e tomou de assalto a fortaleza, aprisionando o cabo e alguns soldados, fugindo outros a nado para o castelo de S. Filipe no outro lado da baía. Esta conquista foi decisiva para o controlo do porto da cidade e para impedir eventuais reforços aos castelhanos no castelo de S. Filipe.

É tradição que as mulheres da Ribeirinha, que seguiam os maridos e os filhos, tiveram papel importante no assalto.

O capitão Manuel Jacques ficou senhor da fortaleza e governou-a por algum tempo, até este posto ser dado por mercê régia a Luís Cardoso Machado. Em 1657 foi juiz da Câmara da Praia.

Este acto de bravura ficou no imaginário heróico da Terceira e tem sido muito glosado pelos escritores das glórias da ilha. Existe mesmo em Angra uma rua com o seu nome, nas imediações do castelo de S. Sebastião. J. G. Reis Leite

Bibl. Chagas, D. (1982), Relação do que aconteceu na cidade de Angra da ilha Terceira, depois da feliz aclamação del-rei D. João IV. In Arquivo dos Açores. 2a ed. Ponta Delgada, Universidade dos Açores, X: 209. Lima, G. (1934), Breviário Açoriano. Angra do Heroísmo, Tip. Ed. Andrade: 112. Maldonado, M. L. (1990), Fenix Angrence. Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira, II: 169-170.