Ivens

De S. Miguel – Os Ivens, originariamente Eyvens, são uma família de mercadores do País de Gales, onde residiram durante sucessivas gerações, ocupados no comércio até «ascenderem» à situação de proprietários de terras e criadores de gado. O mais antigo membro desta linhagem que se documenta é Robard (Roberto) Ivens, possivelmente originário do Worcestershire, que, cerca de 1718, se fixou em Swinbrook onde casou com Mary Elliot, filha de Richard Elliot, agricultor nessa localidade.

Robert Ivens, filho do casal antecedente, nasceu em Swinbrook no ano de 1739 e morreu em 1814. Casou ao redor de 1775 com Elisabeth Breakspeare, nascida em Wycombe, Buckinghmshire, em 1845, que era oriunda de uma família tradicional desse condado. Deste casal foi filho William Ivens, nascido em Swiinbrook em 10 de Junho de 1778. Após os estudos realizados no Christ’s Hospital de Londres, a expensas do seu padrinho, Sir Charles Fettiplace, este William iniciou a sua carreira comercial na firma londrina do seu presumível parente William Hadfield que, em 1800, o enviou a Ponta Delgada, ilha de S. Miguel, com o propósito de estabelecer uma sucursal que exportasse laranjas para o mercado inglês. O navio que o transportava foi abordado por um vaso de guerra francês (a Grã-Bretanha encontrava-se em guerra com o imperador Napoleão I) e os seus passageiros abandonados ao largo da costa portuguesa numa jangada improvisada. Depois de várias peripécias William Ivens acabou por desembarcar na ilha de S. Miguel, onde viria a casar em 1805 com Elisabeth Hickling, filha de Thomas Hickling, primeiro cônsul norte-americano nos Açores, e de Suzanne Sara Falder (1760-1849), natural de Filadélfia, Pensilvânia (Estados Unidos da América), de quem teve uma filha e seis filhos, o mais novo dos quais, Robert Breakspeare Ivens, viria a ser pai do famoso explorador africano Roberto *Ivens.

Tendo enviuvado, William Ivens casou pela segunda vez em 1833 com a sua cunhada Mary Anne Hickling, nascida em 1800, de quem viria a ter mais quatro filhas.

William Ivens foi mercador de bom trato na praça micaelense desenvolvendo uma bem sucedida actividade comercial. A sua ascensão social culminou com o reconhecimento que lhe fizeram em 25 de Agosto de 1816 Isaac Heard, mestre de armas da Ordem da Jarreteira e George Harrison, rei de armas das regiões Sul, Este e Oeste da Inglaterra, em nome do rei Jorge III, do direito ao uso de armas de família. Todavia, em 1851, a «peste da laranja» deixou-o à beira da ruína. Viria a morrer na ilha de S. Miguel em 7 de Junho de 1857, no meio de sérias dificuldades financeiras.

A secundogénita do seu segundo casamento, Catherine Hickling Prescott Ivens, nascida em S. Pedro de Ponta Delgada em 6 de Janeiro de 1836 e falecida em Março de 1933, viria a originar o conhecido ramo dos Ivens Ferraz pelo seu casamento, celebrado em 1861, com o Eng.º Ricardo Júlio Ferraz, nascido na cidade do Funchal, ilha da Madeira, em 26 de Maio de 1824, filho de Severiano Alberto Ferraz e de sua mulher D. Leonor Terência Vieira. De acordo com o genealogista madeirense Luís Peter Clode, estes Ferraz da ilha da Madeira descendiam do escudeiro-fidalgo Aires Gonçalves e de sua mulher Isabel Ferraz.

O Eng.º Ricardo Júlio Ferraz e Catherine H. Prescott Ivens tiveram descendência ilustre da qual destacamos o capitão de fragata Severiano Alberto Ivens-Ferraz (1863-1941), oficial da Administração Naval, que casou com D. Rakima Zaira Moniz Barreto, filha do Dr. Caetano Xisto Moniz Barreto e de D. Margarida do Couto, de quem teve quatro filhos, com geração actual; o general da arma de Artilharia Ricardo Júlio Ivens- Ferraz (1864-1956), Grã-Cruz da Ordem de Avis etc., que casou com D. Ana Margarida Calhamar da Costa, de quem teve quatro filhos, com geração até à actualidade; o vice-almirante Guilherme Ivens-Ferraz (1865-1956), condecorado, entre muitas outras, com a medalha de Valor Militar com pensão, que casou em 7 de Janeiro de 1901 com D. Laura Freire Côrte-Real e Albuquerque Cabral Sacadura Mendes de Almeida, de quem teve cinco filhos, com geração actual; o economista João Ivens-Ferraz (1867-1952), professor do liceu Salazar na então cidade de Lourenço Marques (Moçambique), que casou três vezes, a primeira com D. Joana Virgínia Franco de Brito, de quem teve sete filhos, a segunda com Marion de Rome, de quem teve seis filhos, e uma última vez com D. Márcia Garcia Ramos que lhe deu mais três filhos. Desta larga descendência existe geração actual; D. Leonor Ivens-Ferraz, (1868-1954), casada em 1885 com o súbdito alemão Adolph Hermann Eiffe, viveu com o seu marido em Hamburgo e, dos cinco filhos que teve, julgo que apenas Peter Ernst Eiffe, sobreviveu aos dois conflitos mundiais, e o general da arma de Artilharia Artur Ivens-Ferraz (1870-1933), que ocupou altos cargos da Administração sendo sucessivamente Ministro da Guerra, do Comércio, das Colónias e das Finanças, e morreu sendo Chefe do Estado-Maior do Exército, foi agraciado com várias condecorações de que destaco o colar da Torre-e-Espada, casou com D. Elisa Antónia de Azevedo, de quem teve dois filhos, sem geração. Manuel Lamas