Instituto Cultural de Ponta Delgada

O Instituto Cultural de Ponta Delgada nasceu no final do ano de 1943, pela vontade de um grupo de intelectuais das ilhas de S. Miguel e Santa Maria (50 sócios fundadores), que sob os auspícios das autoridades políticas e administrativas do distrito de Ponta Delgada, se reuniram no Governo Civil, no dia 30 de Novembro de 1943 e nomearam uma comissão para elaborar os estatutos, que foram aprovados pelo governador civil, por alvará de 4 de Dezembro de 1943. A 18 desse mês foi eleita a sua primeira direcção: dr. Humberto de Bettencourt (presidente); Rodrigo Rodrigues (tesoureiro); dr. Francisco Carreiro da Costa (secretário); dr. José Bruno Tavares Carreiro e dr. Armando Côrtes-Rodrigues (vogais).

As razões para a criação do Instituto e os seus objectivos foram apresentadas pelo seu presidente no primeiro número da Insulana, boletim do Instituto Cultural de Ponta Delgada: Impunha-se à tradição literária da ilha de S. Miguel, mantida através de todos os tempos, a organização de uma sociedade que congregasse todos os trabalhadores do espírito e lhes criasse, com o aparecimento de uma revista nossa, o estímulo de mais trabalho, arquivando e divulgando produções que poderiam ficar ignoradas ou esquecidas, e abrindo, pela possibilidade de publicação, um novo interesse às investigações históricas, etnográficas, científicas, artísticas e literárias, defendendo e valorizando o nosso património tradicional.

O Instituto Cultural tem mostrado ao longo da sua história um grande empenhamento no contacto com personalidades e instituições nacionais e estrangeiras com actividade cultural, não só com a intenção de divulgar as suas obras, mas, sobretudo, com o objectivo de divulgar a cultura açoriana. Foi notória a inteligente utilização de todo esse potencial pelas instituições políticas e administrativas do distrito, que usavam o Instituto como uma autêntica direcção distrital da cultura. Desta forma eram os recursos financeiros utilizados numa verdadeira acção cultural que ia muito para além das fronteiras do distrito e mesmo do arquipélago, prestigiando os Açores e levando essa acção às terras longínquas do Brasil e da América do Norte, onde se encontram comunidades de imigrantes açorianos e seus descendentes.

Graças ao financiamento da Junta Geral e, a partir de 1976, aos subsídios do Governo Regional, bem como ao trabalho generoso das suas direcções e de alguns dos seus sócios, o Instituto editou, ao longo dos anos, numerosas obras de autores açorianos, algumas de grande valia para o conhecimento da história dos Açores. Não podendo enumerar todas, referem-se algumas das mais importantes: As Saudades da Terra, de Gaspar Frutuoso; Crónicas da Província de S. João Evangelista das Ilhas dos Açores, de frei Agostinho de Monte Alverne; Margarida Animada, de Francisco Afonso de Chaves e Melo; Antero de Quental, subsídios para a sua biografia, de José Bruno Tavares Carreiro; Colecção de Documentos relativos ao descobrimento e povoamento dos Açores, de Manuel Monteiro Velho Arruda; Um Inverno Nos Açores e Um Verão No Vale Das Furnas, de Joseph e Henry Bullar, tradução de João Anglin; Os Capitães Donatários e Os Capitães Generais, de Francisco de Attayde Machado de Faria e Maia; Romanceiro Popular Açoriano, de Armando Cortes-Rodrigues; Escavações, de Francisco Maria Supico; Instituições Vinculares e Notas Genealógicas, de João de Arruda Botelho e Câmara; Era Uma Vez o Tempo, de Fernando Aires (1.o e 2.o volumes); Poder Municipal e Oligarquias Urbanas, de José Damião Rodrigues; S. Miguel no Século XVIII, casa elites e poder, de José Damião Rodrigues; Pêro Annes do Canto, de Rute Dias Gregório; Cartas de Cecília Meireles a Armando Côrtes-Rodrigues, de Celestino Sachet; Cartas particulares de José do Canto a José Jácome Correia, pelo marquês de Jácome Correia.

A 4 de Dezembro de 2003 a Câmara Municipal de Ponta Delgada homenageou o Instituto Cultural, galardoando-o com a Medalha de Mérito Municipal. Henrique de Aguiar Oliveira Rodrigues