incenso

Nome pelo qual são conhecidas as plantas da família das Pitosporáceas (Dicotiledónea) pertencentes à espécie Pittosporum undulatum (Palhinha, 1966; Schäfer, 2002; Sjögren, 2001) também conhecidas por faia (Palhinha, 1966), faia do norte (Faria, 1997) e incenseiro (Pereira, 1953; Cabral, 1953; Sampaio, 1904).

Segundo Franco (1971), Schäfer (2002) e Sjögren (2001) é um micro-mesofanerófito até 25 m, de ritidoma cinzento, liso e copa piramidal; folhas simples, ovado-lanceoladas, até 15 x 4 cm, agudas, as mais velhas verde-escuras e as mais novas verde-amareladas, geralmente onduladas, persistentes e glabras, fortemente aromáticas; flores pequenas, aromáticas, em cimeiras paucifloras; pétalas brancas, 10 x 15 mm, lanceoladas; cápsula, obovoide, glabra, alaranjada na maturação, com cerca de 1 cm de comprimento, bivalve; sementes viscosas. Perene. Floração de Março a Maio.

Nativo do sudoeste da Austrália, ocorre em todas as ilhas dos Açores onde foi introduzido há muitos anos, como ornamental e para ser usado na construção de sebes de protecção dos pomares de laranjeiras. Segundo Cabral (1953), como planta de sebe, o incenso tem ocupado lugar de destaque devido à sua rusticidade, crescimento rápido e boa rebentação. Todavia, tem o inconveniente da sua sombra ser prejudicial às culturas que protege e das suas raízes concorrerem com essas culturas e de serem hospedeiros de bolores que facilmente são passados às culturas que protegiam, depois de cortadas as plantas.

Escapado da cultura, de expansão rápida, tornou-se um dos piores invasores, estranhos, nos Açores. Actualmente bem implantado e naturalizado, especialmente em campos de lava, desde o nível do mar até cerca de 650 m, domina a floresta de árvores entre aquelas cotas. Devido à sua disseminação espontânea, é uma das plantas que mais tem transformado a paisagem natural açoriana nos tempos actuais. Terrenos abandonados tornam-se rapidamente invadidos pelo incenso (Cabral, 1953; Schäfer, 2002; Sjögren, 2001).

Muito usado como combustível, o seu corte decresceu consideravelmente quando o gás butano foi adoptado como combustível doméstico. As folhas e ramos finos são usados como alimento para o gado.

Luís M. Arruda

 

Bibl. Cabral, A. (1953), Sebes vivas ou abrigos, nos Açores – subsídios para o seu estudo. Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, 17: 61-82. Faria, O. S. (1997), O nosso falar ilhéu. Angra do Heroísmo, Edições BLU. Franco, J. A. (1971), Nova Flora de Portugal. Lisboa, Sociedade Astória, I. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das plantas vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açorianos Afonso Chaves. Pereira, S. (1953), Principais plantas cultivadas e espontâneas nos Açores. Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, 18: 1-32. Sampaio, A. S. (1904), Memória sobre a ilha Terceira. Peixes. Angra do Heroísmo, Imp. Municipal: 129-136. Schäfer, H. (2002), Flora of the Azores, A field guide. Weikersheim, Margraf Verlag. Seubert, M. (1844), Flora azorica. Bona, Adolphum Marcum. Sjögren, E. (2001), Plantas e flores dos Açores. S.l, ed. do autor.