hidroaviação

Pode ser tida como um período de grande desenvolvimento da aviação, nomeadamente quando foi considerada, a utilização dos portos de mar, como as plataformas ideais, colocadas junto das grandes cidades e a mais funcional e viável maneira de expansão das carreiras aéreas transatlânticas. A adaptação de aeronaves à amaragem em superficies líquidas, quer apoiadas em flutuadores quer proporcionando o contacto com a água de fuselagens em forma de quilha – «hidroplanes», «floatplanes», «seaplanes» e «flying boats» – qualquer um destes termos, designado em português genericamente por hidroavião, surge numa época em que a aviação ainda estava numa fase incipiente de desenvolvimento – o período pré 1.a Guerra Mundial.

É durante o referido conflito, mais concretamente em 1918, que, nos Açores, tem lugar pela primeira vez, e na cidade de Ponta Delgada, o aparecimento de pequenos hidroaviões utilizados pela marinha americana (Navy) que mantinha, na altura, uma base aero-naval, naquela cidade, para a detecção de submarinos alemães. É de novo a marinha americana que, no ano seguinte efectua a primeira travessia aérea do Atlântico Norte, utilizando três hidros, na altura considerados de grande porte, e com escalas na Horta e em Ponta Delgada.

Os sucessivos progressos verificados no fabrico de hidroaviões vão garantir, a estas aeronaves, nas décadas seguintes, um maior raio de acção e autonomia. Irão ser vencidas as distâncias que separam os continentes e, principalmente será atingido o grande objectivo da travessia do Atlântico, em condições de segurança, nos dois sentidos, de modo a poderem ser estabelecidas carreiras comerciais de passageiros. Nas décadas de vinte e trinta verificou-se um surto de acontecimentos que tiveram como pano de fundo as baías açorianas com grande destaque para o porto da Horta, onde amararam e descolaram várias aeronaves em tentativas, nem sempre bem sucedidas de atingirem o outro lado do Atlântico, a partir da Europa ou no sentido inverso. As esquadrilhas de Italo Balbo, o aviador americano Charles Lindbergh e os hidroaviões catapultados da Lufthansa, são três dos exemplos de voos que escalaram os portos açorianos de Ponta Delgada e Horta e que correspondem a acontecimentos de grande impacto nestas paragens.

Foi na baía da Horta que a Lufthansa fez base nos verões de 1936, 1937 e 1938, para a realização de voos experimentais entre a Europa e a América do Norte.

Mas, o apogeu das carreiras aéreas, com hidroaviões, só se veio a verificar-se quando a Pan American Airways iniciou as ligações entre os Estados Unidos da América e a Europa, com bases de reabastecimento dos seus famosos «clippers», nas Bermudas e na Horta. O fim da 2.a Guerra Mundial marcou o início do declínio dos hidroaviões como solução preferencial no transporte aéreo comercial.

O primado das carreiras aéreas transitou, inevitavelmente, para os aviões de rodas com o concomitante incremento na construção de aeroportos terrestres. Carlos Silveira

Bibl. Silveira, C. (1972), O Faial na história da aviação. in Arquivo Açoriano, 16: 479-1972. Id. ([2001]), Aeroporto da Horta – 30 anos – 1971 a 2001. s.l., Ed. do autor e ANA – Aeroportos de Portugal S.A.. Munson, K. (1971), Flying Boats and Seaplanes since 1910. Londres, Blandford Press.