hialoclastito
Termo vulcanológico que é um neologismo composto de duas palavras de origem grega: o prefixo hyalo que significa vidro/vítreo e o sufixo clasto que significa fragmento. Designa um depósito vulcânico constituído pela acumulação de pequenos fragmentos vítreos de lava com a forma de grânulos ou lascas. As partículas resultam do estalamento da crosta formada por arrefecimento brusco do magma em contacto com água ou da sua fragmentação explosiva durante a interacção entre magma e água, em resultado das tensões térmicas que se geram. Estes produtos podem formar-se em erupções subaquáticas ou sub-glaciares, quando derrames lávicos entram na água ou quando intruem sedimentos saturados de água.
Porção importante dos edifícios vulcânicos submarinos e da parte subaquática dos vulcões insulares pode ser constituída por hialoclastito. Parte significativa dos produtos vulcânicos produzidos por erupções litorais surtsianas é formada por hialoclastito.
Um exemplo do processo de formação de hialoclastito foi dado pela erupção submarina da Serreta iniciada no final de 1998 ao largo da ilha Terceira. As observações efectuadas com um pequeno submersível telecomandado (um ROV) mostraram os fundos marinhos envolventes do centro eruptivo cobertos por uma areia negra de vidro basáltico. Nas áreas pesquisadas, apenas alguns relevos rochosos do fundo original emergiam de uma cobertura generalizada de hialoclastito. Também as filmagens e amostragens efectuadas no interior da pluma eruptiva submarina, relevaram que esta era constituída por bolhas de gás, finas partículas de vidro e balões de lava em ascensão. No caso desta erupção, o hialoclastito resultava do estalamento e libertação de lascas de vidro provenientes da crosta de balões de lava que ascendiam até à superfície. A precipitação destas partículas, arrastadas pelas correntes, cobriu rapidamente os fundos adjacentes ao local da erupção com espessuras consideráveis de hialoclastito.
José Madeira
