Heredia, Pedro de
[N. ?, ? m. ?, ?] Capitão. Governador militar dos Açores e castelão da fortaleza de São
Sob o seu governo, as obras da fortaleza do Monte Brasil continuaram penosamente. Se o rei manifestava insistentemente o seu empenho no prosseguimento dos trabalhos, faltava, porém, com os meios necessários, em especial pedra de cal. As ordens que, nesse sentido, dava ao governo da coroa portuguesa, ao tempo atribuído ao marquês de Castelo Rodrigo, esbarrava com a falta de dinheiro, e o que chegava à Terceira era insuficiente.
Não conseguiu, porém, calar a revolta dos seus soldados que viviam indeterminadamente longe da pátria, na miséria, desnudados, sem receber os soldos de há muito devidos, porque não chegava dinheiro para pagar serviços, alimentação, fardas e calçado. Repetindo procedimentos já exercitados anteriormente, amotinaram-se. Muitos deles procuraram abandonar a ilha em navios que aqui faziam escala, saltando as muralhas (desde D. Sebastião que a frente marítima de Angra estava amuralhada, controlada por portas dando ao mar). Pedro de Heredia procurou minimizar a situação, buscando dinheiro junto do corregedor para o sustento da sua gente, subiu o preço da carne para convencer os criadores de gado a fornecê-la voluntariamente Juan de *Horbina pagara-a a 15 maravedis, mas Antonio *Centeno baixara o preço para 10, tendo chegado a mandar que lhe trouxessem vacas prenhas, paridas e gado de trabalho para abate, por os criadores se escusarem a fornecê-lo voluntariamente; Heredia pagou a 12 maravedis , aumentou uma ração a cada um, e puniu severamente os soldados que tentaram desertar.
O poder defensivo da fortaleza era, ainda, muito reduzido, não só pelo atraso das obras, mas também porque a artilharia estava quase toda por encavalgar e não havia virtualhas para mais de um dia caso a ilha fosse acometida por inimigos. Soma-se à situação material, o baixo moral da guarnição, conjuntura que leva o Conselho de Guerra a alertar o rei para o perigo da ilha simplesmente se vir a perder.
Durou o comando interino de Pedro de Heredia por um ano. Era um militar com uma carreira de cerca de 45 anos, casado com uma sobrinha do vedor-geral de Espanha D. Juan de Lodema, com casa em Pamplona, reino da Navarra, onde prestara serviço e onde vivia a mulher e a filha. Terminada a missão em Angra, foi ocupar o lugar de alcaide de Melilla. O seu nome veio a ser proposto pelo Conselho de Guerra, em 1607, para substituir o mestre-de-campo Miranda Quiros na castelania da fortaleza do Monte Brasil, mas o rei optou por D. Pedro Sarmiento. Os terceirenses recordaram-no com saudade. Manuel Faria
Fontes: Archivo General de Simancas, Guerra y Marina, leg. 537, doc. 76; leg. 565, docs. 89, 90 e 91; leg. 566, doc. 62; leg. 570, doc. 68; leg. 579, doc. 309; leg. 580, docs. 7, 112, 186 e 274; leg. 584, docs. 121 e 224; leg. 589, docs. 119 e 204; leg. 592, doc. 391, 393 e 400; leg. 597, doc. 168; leg. 598, doc. 91; leg. 599, doc. 36; leg. 601, doc. 78, 131, 133, 134 e 141; leg. 621, doc. 33; leg. 637, doc. 54; leg. 669, doc. 182. [Ed. em CD do Instituto Açoriano de Cultura].
Bibl. Drummond, F. F. (1981), Anais da Ilha Terceira. Angra do Heroísmo, Secretaria Regional de Educação e Cultura, I. Maldonado, M. L. (1990), Fenix Angrence. Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira, II. Sampaio, A. S. (1904), Memoria Sobre a Ilha Terceira. Angra do Heroísmo, Imprensa Municipal.
