Gusmão
Dos Açores. Os deste apelido descendem de Maria Gonçalves de Vargas e Gusmão, filha que dizem ter sido de Don Martim Gonçalves de Vargas e Gusmão, cavalheiro sevilhano. Esta senhora casou, ao que parece na ilha da Madeira, com Diogo de Teive. Embora seja pacífico que este casal residiu na ilha Terceira no terceiro quartel do século XV com os filhos que lhe damos, a figura de Diogo de Teive permanece envolta em polémica. É ponto assente que o Diogo de Teive a quem foram doadas em 1474 as ilhas das Flores e Corvo se identifica com o navegador homónimo residente na Terceira que, em 1452, partiu do Faial e, navegando para ocidente, descobriu as supracitadas ilhas. Mas esta cronologia, bem como o respectivo relato de Fernando Colombo, foram revistas por Duarte Leite e Luís de Albuquerque. E não existe consenso sobre a identificação entre este navegador e o homónimo a quem, nos finais desse mesmo ano de 1452, o infante D. Henrique, deu licença para montar um engenho de açúcar na ilha da Madeira. De igual modo nos parece difícil de aceitar integralmente o relato de cronistas açorianos segundo os quais Diogo de Teive teria governado a capitania da Terceira entre a partida, e subsequente desaparecimento de Jácome de Bruges (1471/2) e a chegada de Álvaro Martins Homem (1473/4). Seja como for Diogo de Teive e sua mulher Maria Gonçalves de Vargas e Gusmão tiveram pelo menos dois filhos que difundiram o apelido Gusmão, João de Teive e Catarina de Teive.
João de Teive, que é dado como co-descobridor das Flores e Corvo, o que parece recuar incomodamente a sua cronologia, ou «rejuvenescer» a descoberta, casou duas vezes. A primeira com Leonor Mendes de Vasconcelos, e a segunda com Beatriz de Horta. Do primeiro casamento teve, entre outros, João de Teive, o segundo do nome, que casou com Francisca de Barcelos Machado de quem teve Carlos de Teive e Gusmão e Inês de Teive e Gusmão, ambos casados e com descendência. Do segundo casamento nasceu Paulo de Teive Gusmão que também teve geração. A filha de Diogo de Teive e de Maria Gonçalves de Vargas e Gusmão, de seu nome Catarina de Teive, casou com o madeirense João Dornelas Saavedra, fidalgo da casa real e cavaleiro professo na Ordem de Cristo que se fixou na Praia, ilha Terceira. Este casal instituiu o vínculo das Fontainhas com a capela de Nossa Senhora da Pena e, na capela-mor da igreja matriz da Praia, a capela de Nossa Senhora dos Anjos. Tiveram, entre outros filhos, Gaspar Dornelas de Gusmão e Álvaro Dornelas de Gusmão cuja descendência transmitiu o apelido pelas ilhas Terceira e Graciosa.
Oriundos do mesmo tronco, viveram na ilha de S. Miguel Manuel José Botelho de Gusmão e Joaquim José Botelho de Gusmão, dois dos quinze filhos de João Bento Botelho de Arruda, capitão-mor de Vila Franca, e de sua mulher D. Maria Josefa da Câmara Quental. Manuel José Botelho de Gusmão foi bisavô paterno de Nuno Gonçalves Botelho de Arruda Coutinho de Gusmão, 1.o visconde do Botelho, e ascendente de alguns dos mais destacados ramos dos Botelho de Gusmão da ilha de S. Miguel. Manuel Lamas
