Guadalupe
1 Toponímia Freguesia, do concelho de Santa Cruz da Graciosa, situada na parte ocidental da ilha da Graciosa, entre o mar, a ocidente, e as freguesias de Santa Cruz, a norte e nordeste, e da Praia e da Luz, a oriente. M. Eugénia S. de Albergaria Moreira
Geografia A freguesia apresenta uma morfologia muito variada, com um sector baixo na parte norte, com altitude média de 50 m, e um sector mais montanhoso, a sul, que corresponde à vertente ocidental da Serra Dormida. Da superfície plana da parte norte, emergem cones de escórias vulcânicas, em regra abertos por escoadas. São exemplos os picos das Bichas (156 m), dos Barcelos (126 m), da Brasileira (129 m), das Terças (166 m) e das Caldeiras (161 m). A drenagem é muito pobre; a permeabilidade elevada das rochas piroclásticas não permite a escorrência superficial, daí não existirem cursos de água importantes, nesta parte da ilha. As ribeiras existentes localizam-se no extremo sudoeste, provenientes da serra Branca, que atinge 360 m de altitude. A costa é dominada por arribas, baixas na baía da Vitória e para sul da ponta Afonso, até Beira Mar; na costa sudoeste as escarpas costeiras atingem 203 m de altura na ponta Branca e 330 m na cicatriz da quebrada que lhe fica a norte. Em 2001 a população residente era 1.300 habitantes (539 mulheres e 761 homens), menos 254 que em 1991 (INE, 2001), e também o valor mínimo atingido desde 1864, quando a freguesia contava 2.690 habitantes. A população atingiu o valor máximo de 3.223 habitantes, em 1950 (INE, 1960). Até essa data, a população cresceu progressivamente; a partir de então, iniciou a tendência decrescente que continua. M. Eugénia S. de Albergaria Moreira
História, Economia, Sociedade e Cultura A freguesia de Guadalupe é uma das quatro freguesias do concelho de Santa Cruz da Graciosa, comarca de Santa Cruz da Graciosa, diocese de Angra do Heroísmo, ilha Graciosa. População: 1.300 pessoas, censo de 2001.
O centro da freguesia de Guadalupe fica situado a sudoeste de Santa Cruz, a cerca de 3 km desta vila, na planície das Courelas.
Se excluirmos os lugares da Vitória e da Ribeirinha, é a única freguesia da ilha que não tem acesso directo ao mar.
Presentemente, a freguesia de Guadalupe é constituída pelos lugares das Almas, Barro Branco, Brasileira, Feteira, Pontal, Ribeirinha e Vitória. Segundo a tradição e as fontes escritas, o nome desta paróquia teve origem numa pequena ermida mandada construir por Domingos Pires da Covilhã, para albergar uma imagem desta invocação de Nossa Senhora, trazida do México por aquele personagem. Durante muitos anos e enquanto não foi constituída paróquia independente, esta igreja foi sufragânea à de Santa Cruz.
Como a população cresceu, foi necessário ampliar a pequena ermida. Aos 22 de Maio de 1713 foi lançada a primeira pedra, tendo-se celebrado a primeira missa naquele novo templo aos 5 de Agosto de 1756.
A actual igreja possui um corpo de três naves, tendo na cabeceira a capela-mor e duas capelas laterais. Este templo tem também coro alto.
Além da igreja referida, na freguesia de Guadalupe, podemos encontrar as igrejas de Nossa Senhora da Esperança (Ribeirinha) e de Santo António da Vitória, e ainda as ermidas de S. Miguel Arcanjo, nas Almas, e a de Nossa Senhora da Vitória, na Vitória.
O milho e o trigo encontraram as melhores condições de desenvolvimento na superfície de Guadalupe e noutras áreas mais pequenas, onde os solos são planos, e por isso a esta freguesia se designou de «celeiro da ilha».
Na parte mais ocidental desta freguesia e até ao mar, os terrenos muito permeáveis foram utilizados para as plantações de vinha, quase exclusivamente da casta «verdelho».
Hoje, em muitos dos terrenos em que outrora se cultivou o trigo, servem de pastagens para o gado e para culturas diversificadas. A maioria da população desta freguesia vive do sector primário.
Em termos de infra-estruturas sócio-culturais e desportivas, a freguesia de Guadalupe possui uma escola do 1.o ciclo, que funciona no centro da freguesia, e uma pré-escola na Vitória, a Casa do Povo, o Sporting Clube de Guadalupe, o Clube do Barro Branco, a Sociedade Recreativa da Vitória e a Irmandade de Nossa Senhora da Esperança da Ribeirinha.
A Casa do Povo de Guadalupe tem instalações polivalentes, nomeadamente um salão, estruturas de apoio a festas e um polidesportivo, e neste edifício funcionam também a Junta de Freguesia de Guadalupe, a Filarmónica União Progresso Guadalupense e o Grupo Folclórico da Casa do Povo de Guadalupe.
O desporto nesta freguesia, o futebol, é representado pelo referido Sport Clube de Guadalupe e praticado num campo sintético pertencente à Junta de Freguesia. Falando ainda de aspectos culturais, referência para o Coro de Nossa Senhora de Guadalupe, pertencente à Igreja do mesmo nome, que interpreta repertórios do foro religioso e profano. Jorge António Cunha
Heráldica Brasão: escudo branco, duas espigas verdes, realçadas de negro; ao centro, estrela azul; na parte inferior, cacho de uvas, de parra verde e uvas roxas. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro, em maiúsculas «GUADALUPE». Bandeira verde. Cordão e borlas a verde e branco. Jorge António Cunha
2 Sede da freguesia de Guadalupe, do concelho de Santa Cruz da Graciosa, fica situada no interior, entre 70 e 80 m de altitude, estendendo-se ao longo da estrada que a liga à vila de Santa Cruz da Graciosa. M. Eugénia S. de Albergaria Moreira
Bibl. Costa, F. J. (1845), Memória Estatística e Histórica da ilha Graciosa. Angra do Heroísmo, Imp. de Joaquim José Soares. Ferreira, A. B. (1968), A Ilha Graciosa. Lisboa, Instituto de Alta Cultura. Instituto Nacional de Estatística (1960), Recenseamento Geral da População no Continente e Ilhas Adjacentes. Lisboa, INE, I, 1. Id. (2001), Censos 2001. Resultados Preliminares. Região Autónoma dos Açores. Lisboa, INE. Moniz, A B. C. (1883), Ilha Graciosa. Descrição Histórica e Topographica. Angra do Heroísmo, Imp. da Junta Geral. Pereira, V. C. D. (1986), Igrejas e Ermidas da Graciosa. Angra do Heroísmo, Direcção Regional dos Assuntos Culturais.
