graben de Pedro Miguel

Estrutura tectónica, activa, localizada na região oriental da ilha do Faial, que origina uma morfologia em degraus com uma zona central deprimida.

O graben é constituído por um conjunto de falhas activas com direcção Oés-noroeste-És-sueste: as falhas da Ribeirinha, Chã da Cruz, Lomba Grande, Ribeira do Rato, Rocha Vermelha, Espalamaca e Flamengos. Todas as falhas apresentam escarpas bem desenvolvidas, as quais tomam localmente a designação de Lombas: as escarpas das quatro falhas do lado Nor-noroeste inclinam para Sul-sudoeste, enquanto que as três restantes inclinam em sentido oposto. No bloco tectónico central, situado entre as escarpas de falha da Lomba Grande-Ribeira do Rato e da Rocha Vermelha (ou Lomba dos Frades), localiza-se a povoação de Pedro Miguel que dá o nome à estrutura.

Do ponto de vista morfológico, as lombas caracterizam-se por um perfil transversal assimétrico, com uma das vertentes relativamente suave (topografia herdada da morfologia vulcânica original) e uma vertente íngreme, que corresponde à escarpa de falha.

A Lomba dos Espalhafatos estende-se desde a povoação que lhe dá o nome até ao porto da Boca da Ribeira, na foz da Ribeirinha, numa extensão de 4.900 m. A altura máxima da escarpa de falha, 140 m, verifica-se defronte da povoação da Ribeirinha, anulando-se para oeste junto a Carapeto de Baixo, onde se encontra coberta por depósitos de pedra-pomes e de ignimbrito. Para leste do porto da Boca da Ribeira apresenta ainda alguma expressão na batimetria do canal.

A Lomba Grande apresenta expressão morfológica desde o Cabouco Velho até à foz da ribeira Seca, a NE de Pedro Miguel, estendendo-se por 8 km. Na zona do Galego, a escarpa principal sofre uma inflexão na direcção geral. Naquele local a vertente bifurca-se dando origem a um degrau que se prolonga até à foz da ribeira do Rato. A escarpa apresenta alturas que oscilam entre 65 m no litoral, 170 m no v. g. Alto da Pedreira, e 20 m no Cabouco Velho, anulando-se para oeste onde está fossilizada por piroclastos muito recentes do vulcanismo da caldeira. A Lomba da Ribeira do Rato é marcada por um degrau cujo desnível máximo é de 60 m a sul do Galego.

A Lomba dos Frades-Lombinha prolonga-se desde o Cerrado do Gato até à Rocha Vermelha no litoral, ao longo de 7.250 m; a oeste do Cerrado do Gato desaparece coberta pelos produtos piroclásticos da caldeira. A altura máxima da escarpa de falha é de 130 m no Alto da Cruz.

A Lomba da Espalamaca estende-se desde 700 m a oeste do Cabeço da Lapa até à Ponta da Espalamaca, numa extensão de 7.500 m. Para oeste este relevo encontra-se coberto por piroclastos recentes da caldeira. Para noroeste a continuação da estrutura tectónica é o vale rectilíneo, encaixado e de vertentes assimétricas da ribeira das Cabras. Para leste da Ponta da Espalamaca, a escarpa apresenta expressão notável na batimetria do canal do Faial: na enchente da maré, as fortes correntes de sentido norte-sul, ao encontrar o relevo submerso da escarpa da Falha da Espalamaca, dão origem a uma linha de ondulação perpendicular ao canal. A altura da escarpa de falha aumenta progressivamente de oeste para leste, atingindo um pouco mais de 100 m na Canada dos Cedros, nos moinhos da Lomba e na Ladeira da Praia. Em Fernandega a falha principal bifurca-se e o ramo que segue mais a sul passa pelo topo da lomba, originando um vale assimétrico cuja vertente tectónica apresenta desnível de 30 a 40 m.

A escarpa da falha dos Flamengos estende-se desde Cruz do Bravo (a sul da povoação de Flamengos) até à Casa do Guarda Campestre (750 m a SW do Cabeço Redondo), ao longo de uma extensão de 6,5 km. Para oeste liga-se à Lomba de Baixo, que constitui um segmento da mesma estrutura. Para oriente desaparece, na região dos Flamengos, sob derrames basálticos da Formação do Almoxarife, depósitos piroclásticos da Formação da Caldeira e aluviões da ribeira dos Flamengos. O desnível da escarpa de falha atinge 110 m na zona do Cabouco.

A largura do graben na região emersa é de quase 7 km, com blocos tectónicos entre falhas oscilando entre 2.300 e 700 m de largura e largura média de 1,5 km.

As falhas que constituem a estrutura em graben são falhas activas, nas quais foram estimadas taxas de deslizamento cujos valores mais frequentes oscilam entre 0,05 e 0,50 cm/ano; estudos de neotectónica e paleossismologia sugerem que aquelas estruturas possam gerar sismos máximos com magnitudes entre Mw=6,1 e Mw=7,0 (Madeira, 1998; Madeira e Brum da Silveira, 2003).

José Madeira

Bibl. Madeira, J. (1998), Estudos de neotectónica nas ilhas do Faial, Pico e S. Jorge: uma contribuição para o conhecimento geodinâmico da junção tripla dos Açores. Tese de Doutoramento, Universidade de Lisboa. Madeira, J. & Brum da Silveira, A. (2003), Active tectonics and first paleoseismological results in Faial, Pico and S. Jorge islands (Azores, Portugal). Annals of Geophysics 46 (5): 733-761.