Gouveia, D. Manuel de

 [N. ?, séc. XVI – m. Angra?, entre 22.10 e 15.11.1601] 8.o bispo de Angra. Irmão do padre Inácio da Companhia de Jesus. O nome advém-lhe do facto de ser natural de Gouveia, na Beira, no continente, foi sucessor do bispo D. Pedro de Castilho, ao que parece desde 18 de Setembro de 1587, tendo chegado a Angra dois anos depois. Em 1592 foi instituída a Irmandade da Misericórdia da Vila da Ribeira Grande, confirmada pelo bispo a 14 de Fevereiro de 1593, tendo o rei, por alvará de 22 do mesmo mês, atribuído ao dito instituto todos os privilégios e liberdades que gozavam o provedor e irmãos da Misericórdia de Lisboa. No ano seguinte, achava-se já na sua diocese e fazia parte do Conselho de Filipe I, o qual lhe mandou pagar 5.000 réis por ano, além dos 10.000 réis que já recebia e 4 moios de trigo. Ordenou a criação de uma nova paróquia, com autorização do soberano espanhol, no lugar chamado as Capelas, entre a freguesia de Nossa Senhora da Luz, em Fenais, e a freguesia de Santo António, no termo da cidade de Ponta Delgada, na nova freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, criada por carta de 11 de Novembro de 1592 e ainda a freguesia de Nossa Senhora do Rosário da Lagoa (27 de Setembro de 1593). Foi ideia sua a instituição da paróquia de Nossa Senhora de Guadalupe, que não viu concretizada, sendo de novo requerida pelo seu sucessor, D. Jerónimo Teixeira Cabral, que a ele fez referência. Para tal foi designado seu vigário, Maximiano Picanço Correia, mandando continuar a reconstrução do Seminário, a requerimento do filho do venerável de Chaves, o licenciado Manuel Jorge Correia. Mandou edificar a fortaleza de S. Filipe, perto do Monte Brasil, na cidade de Angra, sendo governador do presídio que então havia. Esteve presente no lançamento da primeira pedra. A dita fortaleza tinha para cima de 500 praças, 48 artilheiros, fora outras pessoas de ofício; 10 peças de artilharia (a maior parte de bronze), munições e «mais fábrica de guerra em grande abundância». Sobre o conflito de opiniões que se instaurou acerca da presença dos Espanhóis no nosso País, entre ele e o juiz de fora de Ponta Delgada, Gil Eanes da Silveira, há todo um conjunto de importantes cartas que nos revelam, com nitidez, os vários problemas que a fortaleza lhes causava. Encontra-se sepultado na Sé de Angra. João Silva de Sousa

Fontes. IAN/TT, Ordem de Cristo, liv. 6, fl. 212. IAN/TT, Registo do Conselho da Meza da Consciência e Ordens, n.º 15, fl. 62v e n.º 16, fl. 156v.. Arquivo Distrital de Ponta Delgada, liv. 3 do Registo de Alfândega de Ponta Delgada, fls. 3-6; ibid., Livro da Visita da Matriz da Ribeira Grande, fl. 41.

 

Bibl. Almeida, F. (1968), História da Igreja em Portugal. Nova edição, dirig. por Damião Peres, Porto-Lisboa, Livraria Civilização – Editora, III: 680. Anuário Católico de Portugal. 2000-2001 (2001). Coimbra, Secretariado Geral da Conferência Episcopal Portuguesa: 67-88. Arquivo dos Açores. Ponta Delgada, Universidade dos Açores, I (1980): 197, 202, 391 e 408; II (1980): 139-140, 143, 237, 250-251, 299, 311, 313 e 319; III (1981): 61 e 73; IV (1981): 187-189; IX (1982): 226 e 229; XI (1983): 145; XIII (1983): 561; XIV (1983): 261-262, 268-269, 275, 296, 396, 399-402, 412-414, 416-420. Cordeiro, A. (1981), Historia Insulana das Ilhas a Portugal Sugeytas no Oceano Occidental. Angra do Heroísmo, Secretaria Regional da Educação e Cultura: 45 e ss. [Ed. Fac-similada da ed. de 1717]. Sousa, A. C. S. (1722), Catálogo dos Bispos da Igreja de S. Salvador de Angra, in Collecçaõ dos Documentos e Memorias da Academia Real da Historia, tomo II, n.º 8, Lisboa: 122 e ss..