gorazeira

Também grafada grozeira (Silva, 1903), é uma arte de pesca com anzol. Segundo Fernandes (1984), Ferreira (1968), Lopes (1948) e Silva (1903), é constituída por uma linha madre, em fio de nylon, que toma o nome de parada ou estralho, a que estão fixadas paradas curtas, ladrões ou chicotes dos estorvos, com cerca de 20 cm, segundo Ferreira (1968), 40 a 45 cm de comprimento, segundo Silva (1903), ou com 30 a 100 cm, segundo Fernandes (1984). As paradas curtas, ladrões ou chicotes são fixados a distâncias entre eles que os impede de se enrascarem uns nos outros. O número de anzóis é variável. Ferreira (1968), refere 25 a 60, Silva (1903), 45, em média, Lopes (1948), 50 a 200, e Fernandes (1984), 10 a 200, números 4, 5, 7, 8, 9, 10 e 11.

A gorazeira, numa das extremidades, é amarrada por um tornel (destorcedor) a um arame, a linha, que vai até ao barco que está pescando. Na outra extremidade termina com uma pedra ou chumbada, o denominado pandulho. A gorazeira pode ter um ou vários tornéis conforme o número de anzóis. A linha é enrolada ou à mão ou numa bobine feita de madeira suspensa na borda do barco e operada por uma manivela. Tem uma manga, colocada antes do primeiro anzol, que despeja engodo sobre os anzóis (Silva, 1903).

A gorazeira é usada em barcos de qualquer tamanho, a profundidade entre 20 e 300 braças. É iscada com chicharro, sardinha, carapau, lula, cavala, boga, salema, bicuda e goraz. Pesca peixe de fundo, goraz principalmente, de onde toma o seu nome, boca negra, abrótea, pargo, chicharro grado, cântaro, garoupa, alfonsim, moreia e cherne e mero pequenos.

O pandulho tanto faz descer a linha como mantê-la suspensa da embarcação, na pesca do goraz, a que o nome alude, da cavala, do chicharro grado e de outros peixes pelágicos. Para a pesca da abrótea, bagre, boca negra e de outros peixes demersais, o aparelho é aliviado, ficando estendido no fundo. Luís M. Arruda

Bibl. Fernandes, L. M. R. (1984), Artes de pesca artesanal nos Açores. Horta, Secretaria Regional de Agricultura e Pescas. Ferreira, A. B. (1968), A Ilha Graciosa. Lisboa, Instituto de Alta Cultura, Centro de Estudos Geográficos de Lisboa. Lopes, F. (1948), A pesca na ilha Terceira. Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, 6: 61-101. Silva, A. (1903), Ethnographia açoriana, a alfaia marítima de S. Miguel. Portugália, Porto, 1, 4: 835-846.