goraz

1 Nome vulgar da espécie de ave Nycticorax nycticorax (Ardeidae), segundo Matos (1991) e Morton et al. (1998).

Segundo Brown et al. (1982), os indivíduos adultos desta espécie, são de tamanho médio [comprimento 58-65 cm, envergadura 90-100 cm] e aspecto atarracado, com cabeça grande e pernas curtas; cor negra, cinza e branca; cabeça e coroa negras com plumas brancas, grandemente alongadas, e olhos grandes, avermelhados, característicos.

Em repouso toma, frequentemente, numa posição curvada. Em voo, as asas grandes, redondas, e as pontas da patas projectadas apenas ligeiramente para além da cauda, dão-lhe uma aparência gorda.

Geralmente nocturno, é visto, frequentemente, ao crepúsculo, ou empoleirado sobre árvores ou arbustos, próximo da água, ou sobre massas de vegetação flutuante. Passa o dia entre a vegetação densa de zonas alagadas e de lagos. Muitas vezes voa aos pares, batendo as asas mais rapidamente do que as garças maiores. Regressa aos dormitórios o mais tardar ao nascer do sol.

Alimenta-se de peixes, rãs, crustáceos, moluscos, insectos, aranhas, pequenos mamíferos e aves, principalmente durante noite. Geralmente espera pela presa, mas também vadeia, vagarosamente, pela água procurando-a. Quando a localiza, captura-a fazendo um movimento rápido do bico. Mais raramente paira no ar, mergulha e nada até à presa.

Registada para os Açores por Hartert e Ogilvie-Grant (1905: 108), que a consideram um visitante frequente, é considerada acidental por Matos (1991).

Espécie considerada em perigo de extinção, encontra-se protegida pela Convenção Relativa à Protecção da Vida Selvagem e do Ambiente Natural na Europa (Convenção de Berna), Anexo II, e pelo Decreto-Lei n.o 140/99, de 24 de Abril, Anexo A-I. A perturbação dos locais de nidificação e o abate ilegal são factores de ameaça.

2 Nome vulgar dos adultos da espécie de peixe marinho Pagellus bogaraveo (Sparidae). Nos Açores, aos indivíduos jovens desta espécie chamam *carapau ou garapau e àqueles de tamanho intermédio chamam peixão (cf. Sampaio, 1904 e Collins, 1954, como Pagellus centrodontus; ICN, 1993, Martins, 1981 e Santos et al., 1997).

A *briqueira, o *espinhel e a *gorazeira são artes de pesca usadas na sua captura.

Já conhecido na crónica histórica do século XVI de Gaspar Frutuoso (Frutuoso, 1998, L. IV: 228), é uma das espécies de peixe mais apreciadas no arquipélago açoriano. Pode atingir 40 cm, mas os de tamanho médio são de melhor qualidade culinária. Serve para confeccionar pratos cozidos, assados, grelhados, fritos, caldeiradas, alcatras, saladas e caldos. Presta-se a ser conservado no frio, em salmoura ou seco ao sol. Luís M. Arruda

Bibl. Brown, L. H., Urban, E. K. e Newman, K. (1982), The birds of Africa. London, Academic Press, 1. Collins, B. L. (1954), Lista dos peixes dos mares dos Açores. Açoreana, 5, 2: 103-142. Chavigny, J. e Mayaud, N. (1932), Sur l’avifaune des Açores. Généralités et Etude contributive. Alauda (2), 3: 417-441. Frutuoso, G. (1998), Livro Quarto das Saudades da Terra. Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada. Hartert, E. e Ogilvie-Grant, W. R. (1905), On the Birds of the Azores. Novitates Zoologicae, 12: 80-128. Instituto da Conservação da Natureza (1993), Livro vermelho dos vertebrados de Portugal, III: Peixes marinhos e estuarinos. Lisboa, Instituto da Conservação da Natureza. Martins, H. R. (1981), Nomenclatura de peixes de valor comercial dos Açores. Açoreana, 6, 2: 127-129. Matos, L. (1991), Aves. In Portugal Moderno. Fauna. Lisboa, Pomo. Mayaud, N. (1937), Nouvelles données sur l’ornithologie des Açores. Alauda, 9, 3-4: 313-330. Morton, B., Britton, J. C. e. Martins, A. M. F (1998), Ecologia costeira dos Açores. Ponta Delgada, Sociedade Afonso Chaves. Sampaio, A. S. (1904), Memória sobre a ilha Terceira. Angra do Heroísmo, Imprensa Municipal. Santos, R. S., Porteiro, F. M. e Barreiros, J. P. (1997), Marine Fishes of the Azores: An annoted checklist and bibliography. Arquipélago (Life and Marine Sciences), Supplement 1.