Gomes, Maria de Fátima Gomes Madruga
[N. Santa Luzia, S. Roque, Pico, 13.5.1955] Auto-didacta, desde muito cedo afirmou o seu nome e obra de cunho regionalista. Os seus quadros retratam vivências das gentes do Pico, no mar e em terra. Para além da beleza estética e da qualidade técnica dos mesmos, há a considerar a sua importância etnográfica. Juntamente com seu marido, Vítor Boga, também pintor, tem feito inúmeras exposições dentro e fora dos Açores.
Destacou-se como artesã de scrimshaw (gravação em osso e dente de baleia). O seu trabalho versava o retrato de personagens ? seu tema verdadeiramente forte e aquele em que o seu talento brilhou com mais fulgor quer na tela, quer no marfim. É de um realismo impressionante os rostos de baleeiros e marinheiros, havendo ainda a destacar a beleza dos rostos femininos, o mimo das feições risonhas das crianças e as expressões incontornáveis dos velhos. Mas foi nos dramas e tragédias da gente do mar que ela exprimiu os sentimentos de grande retratista que efectivamente é.
Na década de 90, do século XX, esta artista pôs fim à sua actividade de gravadora sobre marfim de dente, sendo actualmente uma acérrima defensora da ecologia e dos animais selvagens em que se incluem os cetáceos. Com a publicação da moratória que protege a vida dos mamíferos marítimos, ela reduziu a sua produção, até à data em que se recusou determinantemente a gravar. Anos mais tarde acabou por entender que o ideal seria passar o testemunho em materiais alternativos, como o marfim vegetal, evitando que esta forma de arte se extinguisse.
Produziu várias centenas de dentes gravados e medalhas, que assinava F.M.Gomes, que estão espalhados pelos Açores, continente, Brasil, Canadá, e América do Norte, onde existem peças suas no Kendall Whaling Museum. Está também representada no Museu dos Baleeiros das Lajes do Pico e nas colecções de scrimshaw do Café Peter e de Gomes Vieira no Museu das Flores. Victor Rui Dores
