Garcia, Francisco Correia
[N. Horta, 4.11.1779 m. Feteira, 12.6.1858] Embarcou como marinheiro de um navio mercante que viajava para o Brasil, em 1798, sendo desde 1802 oficial da marinha mercante e em 1808 comandante do brigue Margarida Júlia, em Amsterdão.
Sofreu as consequências do período de instabilidade provocada pelas guerras napoleónicas, viu o seu navio embargado em Amsterdão, foi prisioneiro inglês por suspeita de se dedicar à escravatura, sendo absolvido em julgamento e perdeu muito dinheiro. Portou-se com valentia em vários ataques ao seu navio nas Caraíbas.
Aportou ao Brasil e em 1814, foi despachado 2.o tenente da armada real e em 1816 como 1.o piloto navegou para os portos da Ásia. Em 1818 foi promovido a 1.o tenente para em 1820 (decreto de 25 de Agosto) ser nomeado ajudante de mar na ilha do Faial.
Liberal, aderiu à revolução de Maio de 1821 que colocou o Faial ao lado do governo de Lisboa e da Constituição. Durante o governo de D. Miguel, em 1828, retirou-se do serviço para o retomar em Junho de 1832 quando Vila Flor conquistou a ilha. Foi, então, reintegrado no cargo de ajudante do mar, agora com o título de capitão do porto. Participou como comandante do brigue Liberal na esquadrilha que transportou as tropas de Vila Flor para a conquista de S. Miguel e no mesmo cargo e brigue fez parte da esquadra que levou o exército libertador para o Porto. Participou no cerco do Porto e na guerra civil. Em 1833 foi promovido a capitão-tenente e comandante da corveta Portuense.
Acabada a campanha regressou à Horta, em 1834, como capitão de porto. Em 1836 aderiu à revolução de Setembro e empenhou-se nas eleições constitucionais de 1838, sofrendo como consequência a perseguição dos cartistas, sendo exonerado do cargo de capitão do porto em 1839 (decreto de 4 de Maio) e reformado em 1842.
Foi cavaleiro da Ordem de S. Bento de Aviz.
Por fim participou na revolta de 1847 que fez o Faial aderir à Patuleia e à Junta Governativa do Porto e nessa circunstância foi de novo capitão do porto da Horta e promovido a capitão de fragata. Restabelecido o governo da carta constitucional passou à disponibilidade. J. G. Reis Leite
Bibl. Macedo, A. L. S. (1959), «Fayalenses Distinctos» In Boletim do Núcleo Cultural da Horta, 2, 1: 112-117.
