garça-real

Nome vulgar da espécie de ave Ardea cinerea (Ardeidae), segundo Morton et al. (1998: 127), Agostinho (1954, 1964), Constância, et al. (1997) e Sampaio (1904), também conhecida por garça-cinzenta, segundo Matos (1991: 121), por João-Cardoso, na ilha Terceira, segundo Chavigni e Mayaud (1932: 430), Agostinho (1954; 1964) e Sampaio (1904) e por arêlo segundo Hartert e Ogilvie-Grant (1905: 108).

Segundo Brown et al. (1982), os indivíduos adultos desta espécie, são de grandes dimensões [o comprimento varia entre 84 cm e 102 cm e a envergadura entre 155 cm e 175 cm], magros, negros e cinza, nas partes superiores, e brancos-acinzentados, nas partes inferiores. Características especialmente distintivas são a coroa da cabeça branca contrastando com a lista supraciliar e a nuca negras; pescoço branco-acinzentado, lateralmente, com listras negras, à frente; punhos das asas negros.

Voa, frequentemente, a grande altitude, com as asas arqueadas e com batimentos lentos e irregulares. Geralmente activa durante o dia, alimenta-se de manhã ou ao fim da tarde, raramente, durante a noite, apenas quando há luar.

Registada para o arquipélago por Drouët (1861), é a única espécie de garça residente (Godman, 1870), que já nidificou (Godman, 1870: 33; Matos, 1991: 121). Alguns casais podem ser sempre vistos junto às lagoas de S. Miguel e, ocasionalmente, sobre as costas de outras ilhas, mas o mar, na maior parte dos casos é demasiado profundo para permitir pescarem a partir do litoral. Todavia, segundo Agostinho (1954, 1964) e Sampaio (1904), esta garça não habita permanentemente nas ilhas açorianas mas, no inverno, aparece frequentes vezes de passagem, e quando se demora vive nas proximidades das lagoas e dos tanques, onde dá caça aos peixes e rãs e por isso é caçada sempre que possível.

O abate ilegal e a perturbação dos locais de nidificação são factores de ameaça pelo que aquela população é considerada vulnerável (cf. Instituto da Conservação da Natureza, 1990; Matos, 1991: 121). Luís M. Arruda

Bibl. Agostinho, J. (1954), Notas ornitológicas. Açoreana, 5, 2: 184-186. Id. (1964), Notas ornitológicas. Ibidem, 6, 1: 72-83. Brown, L. H., Urban, E. K. e Newman, K. (1982), The birds of Africa. London, Academic Press, 1. Chavigny, J. e Mayaud, N. (1932), Sur l’avifaune des Açores. Généralités et Etude contributive. Alauda (2), 3: 417-441. Constância, J. P., Braga, T. J., Nunes, J. C., Machado, E. e Silva, L. (1997), Lagoas e lagoeiros da ilha de S. Miguel. Ponta Delgada, Amigos dos Açores. Drouët, H. (1861), Éléments de la Faune Açoréenne. Aube, Mémoires de la Société Académique de l’Aube, 25. Godman, F. C. (1870), Natural History of the Azores or Western Islands. Londres, John van Voorst. Hartert, E. e Ogilvie-Grant, W. R. (1905), On the Birds of the Azores. Novitates Zoologicae, 12: 80-128. Instituto da Conservação da Natureza (1990), Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, vol. I: Mamíferos, Aves, Répteis e Anfíbios. Lisboa, Instituto da Conservação da Natureza. Matos, L. (1991), Aves. In Portugal Moderno. Fauna. Lisboa, Pomo. Morton, B., Britton, J. C. e Martins, A. M. F. (1998), Ecologia costeira dos Açores. Ponta Delgada, Sociedade Afonso Chaves.