garajau-rosado

Nome vulgar da espécie de ave marinha Sterna dougallii (Sternidae), também conhecida por *andorinha-do-mar-rosada (Direcção Regional do Ambiente (ed.), s.d.). Durante o período reprodutor os garajaus-rosados desenvolvem uma tonalidade rosada no peito de onde deriva o seu nome (Amigos dos Açores, 2001).

Os adultos desta espécie têm dorso e asas cinzento-claro por cima; peito rosado no início do período reprodutor e branco posteriormente; barrete preto na cabeça; bico preto tornando-se progressivamente vermelho-alaranjado da base para a extremidade, durante o período reprodutor; cauda bifurcada mais longa que no *garajau-comum (Direcção Regional do Ambiente (ed.), s.d.).

Os juvenis são semelhantes ao garajau-comum com barrete negro completo (a fronte tornando-se gradualmente branca a partir de Setembro), bico totalmente preto e patas negras.

O garajau-rosado com 35 a 43 cm de comprimento (incluindo rectrizes 8-11 cm no adulto) tem asas curtas, 67 a 76 cm de envergadura, mas que executam batimentos rápidos e amplos, o que faz parecer ter um voo rápido.

Alimenta-se de pequenos peixes, por vezes em associação com golfinhos e atuns, e para os capturar efectua um tipo de mergulho característico, inclinado e poderoso, a partir do ar como se «voasse de encontro à água». Os machos fazem oferendas de peixe às fêmeas durante a corte nupcial (Amigos dos Açores, 2001; Direcção Regional do Ambiente (ed.), s.d.; Monteiro et al., 1996a, 1996b).

A nidificação começa no fim de Abril e prolonga-se até Julho, na maior parte das ilhas dos Açores, excepto em S. Miguel e Corvo, em ilhéus e escarpas, em colónias conjuntas com o garajau-comum. Põe 1 a 2 ovos de que resulta, normalmente, uma cria bem sucedida. É mais abundante nas Flores, Graciosa e Santa Maria; as suas colónias, mistas com *garajau-comum, Sterna hirundo, são de dimensão variável, podendo ultrapassar os 200 casais (Amigos dos Açores, 2001; Direcção Regional do Ambiente (ed.), s.d.; Monteiro, 1996b).

Espécie migratória, começa a abandonar os Açores no fim de Agosto, em direcção ao Golfo da Guiné, costa ocidental africana, onde passa cerca de três meses. Entre Dezembro e Abril regressam aos Açores (Amigos dos Açores, 2001). Todavia, este movimento de regresso é desconhecido. A primeira chegada ocorre nas ilhas mais ocidentais, isto é, nas mais distantes da costa ocidental africana, e em época do ano em que as condições do mar e da atmosfera são mais rigorosas, fazendo supor que estas aves regressam do Atlântico ocidental (Monteiro, 1996b).

Os efectivos desta espécie no arquipélago, 992 casais em 1989 (del Nevo et al., 1993), 991 em 2002, representam 65% da população Paleártica Ocidental, possuindo, por isso, um estatuto de conservação desfavorável, como espécie vulnerável no Livro Vermelho português (SNPRCN, 1990). A presença humana nos locais de nidificação é factor de perturbação. A protecção do habitat é medida necessária à sua conservação. Encontra-se protegida pela Convenção Relativa à Protecção da Vida Selvagem e do Ambiente Natural na Europa (Convenção de Berna), Apêndice II, e pelo Decreto-Lei n.o 140/99, de 24 de Abril, Anexo A-I (espécie prioritária).

A presença de garajaus nas ilhas do Faial, do Pico, da Graciosa, da Terceira e de Santa Maria, é registada por Gaspar Frutuoso, cronista do século XVI, que, todavia, não faz qualquer distinção específica entre esta espécie e o *garajau-comum. Todavia, a ocorrência de garajau-rosado nas ilhas açorianas é conhecida desde Godman (1870) e a nidificação está confirmada por Chavingny e Mayaud (1932). Luís M. Arruda

Bibl. Amigos dos Açores (2001). Migrações de Aves. Ponta Delgada, Amigos dos Açores. Chavigny, J. e Mayaud, N. (1932), Sur l’avifaune des Açores. Généralités et Etude contributive. Alauda (2), 3: 304-348. del Nevo, A. J., Dunn, E. K., Medeiros, F. M., Le Grand, G., Aker, P., Avery, M. I. e Monteiro, L. R. (1993), The status of roseate terns Sterna dougallii and common terns Sterna hirundo in the Azores. Seabird, 15: 30-37. Direcção Regional do Ambiente (ed.) (s.d.), Guia das aves marinhas dos Açores. [Horta]. Godman, F. C. (1870), Natural History of the Azores or Western Islands. Londres, John van Voorst. Monteiro, L. R., Ramos, J. A., Furness, R. W. (1996a), Past and present status and conservation of the seabirds breeding in the Azores archipelago. Biological Conservation, 78: 319-328. Monteiro, L. R., Ramos, J. A., Furness, R. W. E del Nevo, A. J. (1996b), Movements, morphology, breeding, molt, diet and feeding of seabirds in the Azores. Colonial Watwrbirds, 19, 1: 82-97. Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza (1990), Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, I: Mamíferos, Aves, Répteis e Anfíbios. Lisboa, SNPRCN.