garajau-escuro

Nome vulgar da espécie de ave marinha Sterna fuscata (Sternidae) (Direcção Regional do Ambiente (ed.), s.d.).

Ave com 33-36 cm de comprimento e 82-94 cm de envergadura; plumagem acentuadamente contrastante, no adulto, quase inteiramente de cores negra, por cima, e branca, por baixo; asas longas e estreitas, a parte inferior mostrando dois matizes ao longo de todo o comprimento; bico agudo, mas forte; cauda em forquilha profunda.

No juvem a plumagem é uniforme, de cor quase completamente castanha-escura, com manchas e pintas brancas por cima (Cramp, 1985).

Amplamente distribuída nos trópicos, sempre marítima e acentuadamente aérea, aparentemente é capaz de voos contínuos durante longos períodos, desde baixa até grande altitude sobre o oceano, sem pousar sobre a água ou sobre qualquer posição elevada, flutuante ou fixa, para descansar ou pernoitar. Fora do período de reprodução, os seus movimentos variam, geralmente, de dispersivos a migratórios, associados com a exploração sazonal de áreas de produtividade alta, especialmente zonas de convergência; tanto pode ser nocturna como diurna (Cramp, 1985).

Vem a terra, a ilhas oceânicas, próximas ou afastadas das costas, apenas para se reproduzir, em colónias muito densas, cosmopolitas, preferencialmente entre gramíneas ou sob arbustos, mas também sobre locais expostos de areia, coral, terra, pedra exposta ou lava.

Nidifica, ocasionalmente, nos Açores, sendo este o seu limite norte e o único local na Europa (Direcção Regional do Ambiente (ed.), s.d.). Primeiro registo para os Açores feito sobre o ilhéu de Vila do Porto, em 1903, por Hartert e Ogilvie-Grant (1905) (como S. fuliginosa). Posteriormente, neste local, foram observados até 4 indivíduos, em 1989 (Monteiro et al., 1996) que também observaram uma ave sobre a região dos Capelinhos, ilha do Faial, em 1992, e uma sobre a região do Topo, ilha de S. Jorge, em 1992. Em 1990, um único ovo foi posto sobre o ilhéu de Vila do Porto, mas não criou. Em Julho de 1994 uma cria foi anilhada e em Agosto, seguinte, estava prestes a voar. Luís M. Arruda

Bibl. Cramp, S. (ed.) (1985), Handbook of the Birds of Europe, the Middle East and North Africa. The birds of the Western Paleartic. IV - Terns to Woodpeckers. Oxford, New York, Oxford University Press. Direcção Regional do Ambiente (ed.) (s.d.), Guia das aves marinhas dos Açores. [Horta]. Hartert, E. e Ogilvie-Grant, W. R. (1905), On the Birds of the Azores. Novitates Zoologicae, 12: 80-128. Monteiro, L. R., Ramos, J. A., Furness, R. W. (1996), Past and present status and conservation of the seabirds breeding in the Azores archipelago. Biological Conservation, 78: 319-328.