garajau-comum
Nome vulgar da espécie de ave marinha Sterna hirundo (Sternidae), também conhecida apenas por garajau e por *andorinha-do-mar-comum (Direcção Regional do Ambiente (ed.), s.d.).
Os indivíduos desta espécie têm, no adulto, 32 a 38 cm de comprimento; dorso e asas cinzento-claro por cima; peito cinza-claro a branco; barrete preto na cabeça envolvendo o olho; bico vermelho-alaranjado com extremidade preta; cauda bifurcada; pernas e patas vermelho-alaranjadas (Direcção Regional do Ambiente (ed.), s.d.).
Aparentado com a gaivota, mas bastante mais pequeno (entre 56 cm e 66 cm de comprimento nesta), quando observado em voo, apresenta a cauda profundamente bifurcada.
Também difícil de distinguir do garajau-rosado, todavia, neste o branco da plumagem é brilhante, parecendo mais limpo que o banco fosco do garajau-comum. Durante o período reprodutor os garajaus-rosados desenvolvem uma tonalidade rosada no peito de onde deriva o seu nome (Amigos dos Açores, 2001).
Alimenta-se de pequenos peixes e de juvenis de espécies comerciais. O chicharro e o goraz pequeno são as espécies mais importantes na dieta dos adultos e crias. O garajau mergulha a partir do ar, apenas nos 30 cm superficiais do mar, à procura de alimento, com maior frequência ao amanhecer e ao entardecer, períodos em que os peixes pequenos são mais abundantes à superfície. A alimentação é feita, por vezes, em associação com golfinhos e atuns. A perseguição movida por cardumes destas espécies, traz os peixes pequenos à superfície. Os pescadores utilizam a presença dos garajaus para localizarem o atum (Amigos dos Açores, 2001; Direcção Regional do Ambiente (ed.), s.d.).
A postura ocorre desde início de Maio até meados de Julho (Monteiro, 1996). Põe 2 a 3 ovos, cremes com manchas pretas, directamente no solo, por vezes com alguns bocados de plantas ou pequenas pedras a formarem o ninho. O macho e a fêmea incubam os ovos, alternadamente, durante 21 dias. Quando os ovos eclodem, as crias, duas ou três, dependem completamente dos adultos para aquecimento, alimentação e protecção. À nascença as crias pesam cerca de 15 grs. e crescem rapidamente nas 3 semanas seguintes, ao fim das quais iniciam os primeiros voos. Com 15 dias de idade as crias já pesam o mesmo que os adultos (cerca de 120 grs.). São alimentadas cerca de 6 vezes por dia, durante vários meses, por ambos os progenitores. Nidifica em colónias, geralmente com 30 a 70 casais, mas podendo atingir os 400 (Amigos dos Açores, 2001), regularmente em todas as ilhas, sendo mais abundante nas Flores, Terceira, Graciosa, Faial e Santa Maria, em praias de areia ou calhau, em ilhéus e falésias, entre Abril e Julho. Em 1989, a população nidificante foi estimada em cerca de 4.000 casais, representando 4 % do total da população do Paleárctico Ocidental. As aves estavam distribuidas por 107 colónias (20 conjuntas com o garajau-rosado), incluindo entre 2 e 350 casais em reprodução (del Nevo et al., 1993).
Espécie migratória, começa a aparecer nos Açores em Março-Abril. Em Agosto, adultos e jovens concentram-se em grandes bandos, nas baías abrigadas do arquipélago. Em finais de Setembro, já muitos migraram para a costa oeste africana (Golfo da Guiné). Todavia, em finais de Novembro ainda podem ser vistos nas baías açorianas, bandos de até 200 indivíduos em repouso, possivelmente para uma migração tardia, dado que nunca são observados no inverno (Monteiro, 1996).
A sua presença nas ilhas do Faial, do Pico, da Graciosa, da Terceira e de Santa Maria, é registada por Gaspar Frutuoso, cronista do século XVI.
No arquipélago, o estatuto de conservação desta espécie é considerado vulnerável, encontrando-se protegida pela Convenção Relativa à Protecção da Vida Selvagem e do Ambiente Natural na Europa (Convenção de Berna) e pelo Decreto-Lei n.o 140/99, de 24 de Abril, Anexo A-I. A presença humana nos locais de nidificação é factor de perturbação. A defesa do habitat e a protecção dos locais de nidificação são medidas necessárias à sua conservação. Luís M. Arruda
Bibl. Amigos dos Açores (2001). Migrações de Aves. Ponta Delgada, Amigos dos Açores. del Nevo, A. J., Dunn, E. K., Medeiros, F. M., Le Grand, G., Aker, P., Avery, M. I. e Monteiro, L. R. (1993), The status of roseate terns Sterna dougallii and common terns Sterna hirundo in the Azores. Seabird, 15: 30-37. Direcção Regional do Ambiente (ed.) (s.d.), Guia das aves marinhas dos Açores. [Horta]. Monteiro, L. R., Ramos, J. A., Furness, R. W. E del Nevo, A. J. (1996), Movements, morphology, breeding, molt, diet and feeding of seabirds in the Azores. Colonial Watwrbirds, 19, 1: 82-97.
