Gama, Jaime José Matos da
[N. Fajã de Baixo, ilha de São Miguel, 8.6.1947] Deputado e ministro. Aluno brilhante no liceu Antero de Quental, onde foi premiado a nível nacional, desde cedo se interessou pela actividade política. Em 1965, um artigo da sua autoria no suplemento literário «Encontro», do jornal *Açores, deu origem à suspensão do referido suplemento e a uma detenção do autor para averiguações. Nas eleições de 1969, fazia parte de um grupo de estudantes universitários que agitou as águas em Ponta Delgada, cuja acção foi decisiva na aproximação entre o sector dos católicos e os elementos mais radicais da oposição micaelense, embora não tivesse apoiado a lista da *Comissão Democrática Eleitoral naquele distrito. Optou por candidatar-se por Lisboa nas listas da Comissão Eleitoral de Unidade Democrática, em 1969 e 1973. Na capital, onde se licenciou em Filosofia na Faculdade de Letras, foi dirigente do movimento associativo estudantil, como secretário das Reuniões Inter-Associações, em 1968-1969. Na altura integrou-se na Acção Socialista Portuguesa, tendo sido eleito secretário-geral adjunto para o interior do país, após o exílio de Mário Soares. Elemento fundador do Partido Socialista, voltou a ser detido pela PIDE, por ter participado, em Roma, num congresso da Internacional Socialista, ficando com residência fixa. Na qualidade de oficial miliciano, na altura do 25 de Abril apoiou o golpe militar, sendo requisitado para chefiar os serviços de informação e noticiários da Emissora Nacional. A nível partidário, foi membro da Comissão Nacional, do Secretariado Nacional, responsável pelo sector da organização das estruturas de base e federativas (até 1979) e membro da Comissão Directiva. Foi eleito para a Assembleia Constituinte, pelo círculo de Ponta Delgada (1975), com novos mandatos pelo mesmo círculo (1976 e 1979) e, a partir de então, por Lisboa. Na qualidade de deputado, foi eleito presidente da Comissão para os Assuntos das Regiões Autónomas, na Assembleia Constituinte, vice-presidente da Comissão de Negócios Estrangeiros e Emigração da Assembleia da República, representante de Portugal na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, membro da Comissão de Defesa Nacional da Assembleia da República, vice-presidente do grupo parlamentar do Partido Socialista e líder da mesma bancada (1994). Paralelamente, exerceu o cargo de ministro da Administração Interna no II Governo Constitucional (1978) e ministro dos Negócios Estrangeiros (1995). Nesta qualidade renegociou os acordos da Base das Lajes. Para além da actividade política, foi também professor do ensino secundário particular, durante dois anos, jornalista (jornal República) e colaborador da revista O Tempo e o Modo. No período do «Verão Quente», em 1975, foi considerado persona non grata pelos elementos da Frente de Libertação dos Açores. Partidário da autonomia regional, defendeu-a nos debates na Assembleia, em vários artigos e conferências, com posições nem sempre convergentes com o seu principal adversário Mota Amaral. Carlos Enes
