galinhola

Nome vulgar da espécie de ave Scolopax rusticola (Scolopacidae), segundo Godman (1870), Hartert e Ogilvie-Grant (1905) e Sampaio (1904).

Os indivíduos adultos desta espécie têm 32 a 38 cm de comprimento (incluindo o bico com 6-8 cm) e 55 a 65 cm de envergadura; fronte rosada-amarelada tornando-se cinzenta-acastanhada sobre a parte anterior da coroa; linha média estendendo-se desde a base da mandíbula superior, para cima, até a coroa; parte posterior da coroa e nuca pretas, com três bandas transversais cor de ferrugem-amarelada e amarelada; manto, escapulário e tectrizes mais interiores amarelados com vermiculações cinza-castanho, matizadas, irregularmente, com negro e vários tons de castanho, salientando-se, conspicuosamente, as marcas de negro-forte; tectrizes mais exteriores barradas, irregularmente, de castanho e cor de ferrugem; rémiges primárias e secundárias castanho-anegrado, as segundas primárias orladas de branco listado de castanho sobre a parte mais exterior dos vexilos; penas restantes marcadas com cor-de-canela-amarelada, mais carregada sobre a parte mais exterior dos vexilos; dorso, uropígio e coberturas superiores da cauda cinza-acastanhada terminadas em cor de ferrugem e estreitamente barradas com negro; penas da cauda negras marcadas com cor de ferrugem-amarelada e com castanho-acinzentado, claro; mento branco, e uma listra, sépia, larga estende-se desde os olhos até ao bico; garganta e pescoço amarelada, barrados, apertadamente, de castanho; peito, ventre e coxas cor-de-nata-amarelada com barras castanhas-claras, onduladas, tornando-se mais escuras sobre os lados; tectrizes inferiores da cauda cor-de-nata-amarelada listadas com preto; bico de cor castanha-de-carne (Bannerman e Bannerman, 1963).

Habita bosques húmidos com pântanos de água doce, veredas, clareiras, sombra e pelo menos algum mato. No Inverno, ocorre também em mato mais seco ou terreno com arbustos. Reproduz-se de Abril a Junho. O ninho é uma cova abrigada, numa área sombria do bosque.

De hábitos crepusculares, quase só abandona o dormitório durante o dia quando é perturbada. Nesta circunstância, levanta voo, fazendo algum barulho ao bater rapidamente as asas, ziguezagueando por entre as árvores e apresentando muito castanho-ferrugíneo no uropígio e na cauda.

A melhor ocasião para ser observada é ao anoitecer, a partir de um ponto com vista panorâmica sobre a área de reprodução, particularmente quando o macho se exibe, patrulhando uma grande área, num voo directo e nivelado sobre as copas das árvores. Durante o voo de exibição o macho faz batimentos duplos das asas, largas e de pontas arredondadas, aponta o bico, comprido, obliquamente para baixo, e a cauda toma uma postura ligeiramente pesada.

Espécie registada para os Açores por Morelet (1860), ocorria em todas as ilhas, sendo mais abundante nas de S. Jorge, Pico e Flores, onde quase não era caçada (Godman, 1870).

Esta espécie encontra-se incluída no Anexo II/1 da Directiva do Conselho das Comunidades Europeias relativa à conservação das aves selvagens. Transcrita para a ordem jurídica portuguesa pelo Decreto-Lei n.o 140/99, de 24 de Abril. A população residente no arquipélago açoriano tem estatuto de conservação vulnerável (Instituto da Conservação da Natureza, 1990). A perca do habitat e a pressão cinegética são factores de ameaça pelo que as medidas de defesa das florestas naturais e o reforço da legislação venatória são medidas tendentes à sua conservação. Luís M. Arruda

Bibl. Bannerman, D. A. e Bannerman, W. M. (1963), Birds of the Atlantic Islands, 1: A History of the Birds of the Canary Islands and of the Selvages. Edimburgo e Londres, Oliver & Boyd. Godman, F. C. (1870), Natural History of the Azores or Western Islands. Londres, John van Voorst. Hartert, E. e Ogilvie-Grant, W. R. (1905), On the Birds of the Azores. Novitates Zoologicae, 12: 80-128. Instituto da Conservação da Natureza (1990), Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, I: Mamíferos, Aves, Répteis e Anfíbios. Lisboa, ICN. Morelet, A. (1860), Notice sur l’histoire naturelle des Açores, suivie d’une description des mollusques terrestres de cet archipel. Paris, J.-B. Baillière et fils. Sampaio, A. S. (1904), Memória sobre a ilha Terceira. Angra do Heroísmo, Imprensa Municipal.