galinha-de-água
Nome vulgar da espécie de ave Gallinula chloropus correiana (Rallidae) segundo Chavingny e Mayaud (1932) e Agostinho (1964). Hartert e Ogilvie-Grant (1905) associam, erradamente, este nome vulgar à espécie Fulica atra, conhecida por galeirão, segundo Chavingny e Mayaud (1932) e Agostinho (1964). Ambos são escuros e frequentam locais idênticos, mas o galeirão é mais corpulento, possui placa frontal, branca, e patas curtas, negras-acinzentadas.
Os adultos desta espécie têm a plumagem do corpo principalmente cor-de-ardósia-acinzentada; bico, curto, vermelho com a ponta amarela; placa frontal e «ligas» vermelhas; cabeça e pescoço negros; dedos das patas, finos e compridos, de cor verde. De modo característico, quando agita a cauda mostra penas brancas infracaudais; quando nada uma banda branca separa a parte superior cor-de-ardósia da parte inferior mais azulada (Bannerman e Bannerman, 1966).
Os indivíduos da subespécie açoriana têm o escudo frontal maior, em todas as estações; cabeça e pescoço mais negras; coloração das partes inferiores mais azuladas, especialmente nos lados do peito e nos flancos, por redução das marcas brancas do ventre; abdómen com muito menos branco na extremidade das penas; garra do dedo médio da pata pronunciadamente mais recta do que acontece comumente nas aves europeias (Chavingny e Mayaud, 1932; Bannerman e Bannerman, 1966).
Alimenta-se de insectos aquáticos, moluscos, sementes e plantas.
O primeiro registo de nidificação nos Açores foi feito por José *Correia, no Paul da Praia, na ilha Terceira, em 1930 e descrito por Murphy (1931). O ninho, em forma de taça, é construído junto ao solo, segundo Murphy (1931), com plantas do paul, geralmente gramínes e pedúnculos e folhas de Scirpus sp.. Os ovos são de cor castanha-amarelada pálida, bastante densamente salpicados de manchas arredondadas de castanho natal, algumas, poucas, medindo até 6 mm de diâmetro.
Nidifica entre Março e Agosto, de forma irregular, pelo menos nas ilhas das Flores, do Faial, da Terceira e de S. Miguel. Põe 5 a 11 ovos que são incubados durante 19-22 dias. O choco começa quando a postura termina.
Habita áreas apauladas, em particular a vegetação ripícola, onde passa o tempo a remexer a terra à procura de alimento. Nada bem mas raramente mergulha; voa activamente, com as patas pendentes, depois de longo patear para descolar; poucas vezes se encontra em bandos
A preferência da galinha-de-água mais por pauis e canaviais confinando com lagos, do que pela água aberta, pode explicar de algum modo a falta de observações de campo dos ornitologistas. É uma ave que deve seguramente ter estado nas ilhas desde tempos antigos, com registos de Drouët (1861), Godman (1870) e Sampaio (1904), mas foi apenas com a colecção de Correia, em 1927, no Paul da Praia da Vitória, na ilha Terceira, que a sua presença se tornou conhecida (Bannerman e Bannerman, 1966). Posteriormente, Chavingny e Mayaud (1932) incluem registo de um macho capturado na ilha do Faial, por M. *Dionísio. Ainda segundo Bannerman e Bannerman (1966) também há registos de ocorrência nas ilhas de S. Miguel e das Flores.
A destruição do habitat é a principal ameaça à sua sobrevivência pelo que a protecção deste deve ser considerada entre as medidas de conservação. A espécie encontra-se incluída no Anexo II/2 da Directiva do Conselho das Comunidades Europeias relativa à conservação das aves selvagens, transcrita para a ordem jurídica portuguesa pelo Decreto-Lei n.o 140/99, de 24 de Abril. Luís M. Arruda
Bibl. Agostinho, J. (1964), Notas ornitológicas. Açoreana, 6, 1: 72-83. Bannerman, D. A. e Bannerman, W. M. (1966), Birds of the
