gaivota

Nome vulgar da espécie de ave marinha Larus cachinnans atlantis (Laridae), também conhecida por ganhoa (Direcção Regional do Ambiente (ed.), s.d.; Chavingny e Mayaud, 1932), garça (Agostinho, 1935; Chavingny e Mayaud, 1932), gaivota-das-pernas-amarelas (Morton et al., 1998) e passaroucas ou aguaceiras, nas Flores. O seu estatuto taxonómico é incerto. Primeiro descrita como Laurus fuscus sp. atlanticus (Dwight, 1922), posteriormente referida como Laurus argentatus sp. atlantis (Bannerman e Bannerman, 1966), é considerada uma espécie por Yésou (1991). A subespécie atlantis ocorre nos Açores, Madeira e Canárias.

Segundo Direcção Regional do Ambiente (ed.) (s.d.), os adultos desta espécie, com comprimento variando entre 56 cm e 66 cm, têm dorso e asas cinzentas, por cima, e brancas, por baixo, excepto para as extremidades das asas que são pretas nos dois lados; cabeça e cauda brancas; bico amarelo com uma pinta vermelha na extremidade inferior; pernas e patas amarelas.

Os juvenis e sub-adultos bastante diferentes, com plumagem evoluindo desde o acastanhado até atingir a plumagem adulta no Verão do terceiro ano.

Espécie oportunista, alimenta-se de peixes, de cracas, de restos de alimentos e de ratos; por vezes alimenta-se de outras aves marinhas como o *angelito (= *alma-de-mestre) e o *frulho.

Nidifica em falésias e zonas costeiras de todas as ilhas, entre Março e Julho. Põe 2 ovos. Segundo Monteiro et al. (1996a) a postura começa em Abril e a incubação em Maio, com muitas crias cobertas de penas no fim de Julho.

Espécie residente, diurna, essencialmente costeira, nada, caminha e pousa em espaço aberto. Pode ser observada regularmente, alimentando-se sobre bancos submarinos a 100 km de distância das ilhas (cf. Monteiro et al., 1996a).

Segundo del Nevo et al., (1990), em 1989, a população de gaivota dos Açores totalizava 6.415 indivíduos distribuidos por 18 colónias, incluindo 15 a 1.400 indivíduos. Para Monteiro et al. (1996b), estes valores poderão estar a aumentar com o desenvolvimento das lixeiras e da indústria pesqueira.

A presença de gaivotas nas ilhas açorianas é referida algumas poucas vezes por Gaspar Frutuoso, cronista do século XVI. Luís M. Arruda

Bibl. Agostinho, J. (1935), Ornitologia açoreana. Notas sobre alguns trabalhos recentes. Açoreana, 1, 2: 113-133. Bannerman, D. A. e Bannerman, W. M. (1966), Birds of the Atlantic Islands, 3: A History of the Birds of Azores. Edimburgo e Londres, Oliver & Boyd. Chavigny, J. e Mayaud, N. (1932), Sur l’avifaune des Açores. Généralités et Etude contributive. Alauda (2), 3: 304-348. del Nevo, A. J., Dunn, E. K., Medeiros, F. M., Le Grand, G., Aker, P., Avery, M. I. e Monteiro, L. R. (1993), The status of roseate terns Sterna dougallii and common terns Sterna hirundo in the Azores. Seabird, 15: 30-37. Direcção Regional do Ambiente (ed.) (s.d.), Guia das aves marinhas dos Açores. [Horta]. Dwight, J. (1922), Description of a new race of the lesser black-backed gull from the Azores. American Museum Novitates, 44: 1-2. Monteiro, L. R., Ramos, J. A., Furness, R. W. E del Nevo, A. J. (1996a), Movements, morphology, breeding, molt, diet and feeding of seabirds in the Azores. Colonial Watwrbirds, 19, 1: 82-97. Monteiro, L. R., Ramos, J. A., Furness, R. W. (1996b), Past and present status and conservation of the seabirds breeding in the Azores archipelago. Biological Conservation, 78: 319-328. Morton, B., Britton, J. C. e. Martins, A. M. F (1998), Ecologia costeira dos Açores. Ponta Delgada, Sociedade Afonso Chaves. Yésou, P. (1991), The sympatric breeding of Larus fuscus, L. cachinnans and L. argentatus in western France. Ibis, 133: 256-263.